Empresa da família Azevedo e Gulbenkian compra 709 hectares de floresta à britânica DS Smith

Sociedade Antarr adquiriu herdade Vale de Mouro à multinacional com sede em Londres. Consultora Savills esteve por detrás da transação, que envolveu ainda a venda de 161 hectares a uma madeireira.

A empresa portuguesa Antarr – que pertence aos donos da Sonae e à Fundação Calouste Gulbenkian – comprou a herdade de Vale de Mouro, com a dimensão de 709 hectares, à papeleira britânica DS Smith. A propriedade faz agora parte do portefólio da sociedade criada pela Efanor, que reúne as participações da família Azevedo.

Esta aquisição, cujo valor não foi divulgado, constitui “um marco importante no portefólio” da Antarr, segundo a informação divulgada esta terça-feira pela consultora imobiliária Savills, que assessorou o negócio.

A Antarr nasceu em 2021, quatro anos depois dos incêndios de Pedrógão Grande, a partir de uma ideia de Paulo Azevedo para dar uma nova vida às florestas de Portugal. O chairman da Sonae começou a executar o plano e depressa conquistou o investimento e parceria da Fundação Calouste Gulbenkin, como contou ao jornal Público o presidente da fundação e professor emérito da Universidade de Lisboa, António Feijó.

É também por esse motivo que a Antarr ficou com este nome, que significa “floresta” em arménio, a língua materna do engenheiro Calouste Sarkis Gulbenkian.

Com a sede em Vila Real, dedica-se atualmente à preservação florestal através do investimento em propriedades produtivas e biodiversas. “Estamos muito satisfeitos com a parceria com a Antarr que, como nova proprietária das nossas florestas portuguesas, demonstrou o seu compromisso com o investimento ético contínuo e a longo prazo. Estamos ansiosos por encontrar um investidor de alto nível semelhante para as nossas florestas em Espanha”, afirmou o diretor de propriedades do grupo DS Smith, Matthew Stone.

Além desta propriedade, a DS Smith concluiu também a venda de outros 161 hectares de floresta sustentável (certificada pelo FSC – Forest Stewardship Council) a uma empresa madeireira.

As duas transações do mesmo vendedor, num total de 870 hectares de florestas em Bragança e no Alentejo com plantações de pinheiro-manso, sobreiro e eucalipto de rotação média, são a primeira etapa de uma iniciativa florestal transfronteiriça que apresenta um total de 2.685 hectares de florestas geridas de forma sustentável em Portugal e Espanha.

“As florestas colocadas à venda pela DS Smith representam uma rara combinação de gestão ambiental e silvicultura comercial, concebidas para satisfazer critérios ecológicos e de investimento num mercado em constante evolução de capital natural e esforços de preservação florestal”, explica a Savills, que geriu a pasta com os departamentos de Rural de Portugal, Espanha e Reino Unido.

“É um passo decisivo no mercado português de investimento florestal. Ilustra o crescente interesse pelas florestas não só como ativos madeireiros, mas também como veículos para o valor ambiental e financeiro a longo prazo”, comentou o rural business developer da Savills Portugal, Bruno Amaro.

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