“Será difícil o Orçamento para 2025 passar. Da maneira como está a começar, não vejo isto a ir por bons rumos”

O CEO da MCoutinho, que no ano passado faturou perto de 500 milhões de euros e emprega 1.300 pessoas, sublinha que “é preciso baixar este ruído político e tornar Portugal num país mais calmo”.

António Coutinho, CEO da MCoutinhoRicardo Castelo/ECO

Muito dificilmente o novo Executivo liderado por Luís Montenegro vai conseguir aprovar o Orçamento do Estado para o próximo ano. Para António Coutinho, CEO do Grupo MCoutinho, que faturou perto de 500 milhões de euros no ano passado, “há muito ruído neste momento” e “será muito difícil” ter um Governo de quatro anos, uma situação que diz ser desfavorável para os agentes económicos.

Em entrevista ao ECO, o dono do grupo que emprega 1.300 pessoas no país e tem mais de 90 postos de venda espalhados pelo país, mostra-se ainda preocupado com o quadro político em Portugal. Para António Coutinho, olhando para o que têm sido as primeiras semanas de governação do novo Executivo, liderado por Luís Montenegro, um quadro de estabilidade governativa é algo que se antecipa difícil neste momento.

O novo Governo entrou em funções há menos de um mês. O que espera deste novo Executivo e como comenta as primeiras medidas aprovadas?

Há duas medidas que foram boas. A redução do IRS. Ir até ao 8º escalão é uma boa medida, colocar mais dinheiro nos portugueses. É uma medida importante. E outra medida que foram buscar ao Partido Socialista, que é a tributação autónoma, também é uma boa medida.

Que propostas direcionadas para o setor automóvel é que gostaria de ver aprovadas pelo novo Governo?

O Governo que cessou funções, há muito pouco tempo, tinha aprovado o abate no seu Orçamento. Tem apoio aos carros elétricos e aos carros com mais de 15 anos. Os apoios para essas duas modalidades eram no valor de 129 milhões de euros. É importante perceber se Governo que iniciou funções vai cumprir esse abate, porque estava no Programa do Governo e é muito importante para o país, para quem vai usufruir do automóvel e para o setor.

Temos de continuar a baixar a pegada ambiental. Isso é o que Governo pode fazer porque está aprovado.

 

Há muito ruído neste momento. Há uma tentativa de posicionamento entre quem governa e quem faz oposição e, dentro da oposição, sobre quem vai ser oposição.

António Coutinho

CEO da MCoutinho

Já se percebeu que não será fácil para o Governo aprovar as suas medidas.

Há muito ruído neste momento. Há uma tentativa de posicionamento entre quem governa e quem faz oposição e, dentro da oposição, sobre quem vai ser oposição. Há uma fase em que é preciso baixar este ruído que existe sobre os polícias, sobre a saúde e sobre a justiça.

É preciso saber resolver estes assuntos e tornar Portugal num país mais calmo e [estabelecer as condições para] que possam governar enquanto lá estiverem. Precisamos de tranquilidade neste país e de alguém que possa tomar decisões e, acima de tudo, decisões tendo em vista a preocupação das nossas pessoas. As nossas pessoas precisam de ser cuidadas.

O país tem de fazer uma trajetória diferente. Pôr nos portugueses menos impostos, mais rentabilidade para a remuneração das suas aplicações.

António Coutinho

CEO da MCoutinho

Há condições para ter um Governo de quatro anos?

Acho que é muito difícil. Vai depender do posicionamento de cada um em cada momento. Será difícil que vá ser aprovado o Orçamento do Estado para 2025. Se houver uma noção exata de que o PS possa ser Governo, o PS irá fazer com que o Governo possa cair. Vai ser muito difícil passar o próximo Orçamento do Estado. Espero que isso aconteça, mas da maneira como está a começar não vejo isto por bons rumos.

O que é que isso significa para o país e para a economia portuguesa?

Nunca é bom não termos esta estabilidade. O país tem de fazer uma trajetória diferente. Pôr nos portugueses menos impostos, mais rentabilidade para a remuneração das suas aplicações. Sem isto acontecer não vai ser fácil para o país. Tudo o que não precisávamos neste momento era de ter este processo [de instabilidade governativa]. Neste projeto político que estamos a ver em Portugal, na Assembleia da República, não estou a ver como se consegue trazer aqui alguma tranquilidade. Vamos ter um processo de grande dificuldade.

Além da instabilidade interna, há ainda muitos riscos geopolíticos externos. Quais os principais que identifica para a economia nacional?

Há todo um processo geopolítico. As eleições nos Estados Unidos podem ser um fator destabilizador; há a guerra entre Israel e a Palestina, com o Irão a ser um fator mais preocupante para todos nós; há o processo da guerra na Ucrânia; há Taiwan. O mundo está em erupção, está em agitação completa.

 

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