Benfica SAD paga 4,5% por empréstimo obrigacionista de 40 milhões de euros a quatro anos
Os 40 milhões captados com esta operação serão utilizados principalmente para refinanciar parte das obrigações "Benfica SAD 2022-2025" que vencem em junho e têm um saldo-vivo de 60 milhões de euros.
A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD (Benfica SAD) prepara-se para realizar uma nova emissão obrigacionista no valor de até 40 milhões de euros, através de uma oferta pública de subscrição (OPS) das obrigações “Benfica SAD 2025-2029” e de uma oferta pública de troca (OPT) com as obrigações “Benfica SAD 2022-2025”.
Este movimento surge num momento em que a SAD enfrenta o reembolso de 60 milhões de euros das obrigações emitidas em 2022, com vencimento agendado para junho deste ano.
A emissão das novas obrigações terá início a 9 de abril e decorrerá até 24 de abril de 2025, segundo o prospeto publicado esta sexta-feira na CMVM. A taxa de cupão destas obrigações é fixa em 4,5% ao ano, com pagamento semestral dos juros em abril e outubro.
O prazo do investimento será de quatro anos, com vencimento a 30 de abril de 2029, e cada obrigação terá um valor nominal unitário de cinco euros. O montante mínimo para subscrição será de 500 obrigações, equivalentes a um investimento inicial mínimo de 2.500 euros.
Enquanto a OPS será destinada ao público em geral, com um montante global inicial até 40 milhões de euros, a OPT será direcionada aos titulares das obrigações “Benfica SAD 2022-2025”, permitindo a troca pelas novas obrigações com vencimento em 2029, com cada obrigação antiga a ser trocada por uma nova, acrescida dos juros corridos até à data da emissão.
De acordo com o prospeto da operação, os fundos captados por via da OPS serão utilizados principalmente para refinanciar parte do empréstimo obrigacionista “Benfica SAD 2022-2025”, cujo montante total é de 60 milhões de euros. O remanescente será aplicado no desenvolvimento da atividade corrente da Benfica SAD, diversificação das fontes de financiamento e reforço da liquidez, refere a SAD benfiquista em comunicado.
Já a OPT “visa permitir à Benfica SAD substituir parte da sua dívida com vencimento em 2025 por dívida com vencimento em 2029”, permitindo à SAD liderada por Rui Costa gerir melhor os seus compromissos financeiros futuros.
No documento publicado no site do regulador, a Benfica SAD alerta ainda para vários riscos associados à emissão. Entre os principais estão:
- Risco financeiro: O pagamento dos juros e reembolso do capital depende da capacidade económico-financeira da Benfica SAD. A SAD do clube da Luz refere que a empresa apresenta uma dívida financeira líquida que ascendia a 201,8 milhões de euros no final do exercício fiscal de junho de 2024, um aumento homólogo de 43,3%, e que, à data do prospeto, nem o património nem as receitas da SAD foram dados como garantia para este empréstimo.
- Dependência desportiva: Os resultados financeiros estão fortemente ligados ao desempenho desportivo, particularmente à participação na UEFA Champions League. “Na eventualidade de o SL Benfica não poder aceder à UEFA Champions League na época 2025/2026, não terá direito às receitas inerentes à participação nessa prova, o que poderá ter um impacto financeiro adverso no Emitente e Oferente”, destaca a Benfica SAD.
- Risco relacionado com transações de jogadores: As vendas de direitos desportivos representaram 49,6% dos rendimentos operacionais no primeiro semestre do exercício 2024/2025. “Uma eventual variação negativa dos rendimentos obtidos com transações de direitos de atletas poderá afetar significativamente a atividade da Benfica SAD”, lê-se no prospeto.
- Liquidez reduzida no mercado secundário: Apesar da admissão à negociação na Euronext Lisbon, não há garantias quanto à liquidez das obrigações no mercado regulado, o que poderá dificultar a venda destes títulos.
Nos últimos resultados anuais (exercício encerrado a junho de 2024), a Benfica SAD apresentou um prejuízo líquido consolidado de 31,4 milhões de euros, contrastando com um lucro líquido no ano anterior. Já no primeiro semestre do exercício atual (até dezembro de 2024), registou-se uma recuperação significativa com lucros líquidos na ordem dos 40,3 milhões de euros.
As receitas operacionais (excluindo transações de jogadores) atingiram os 105,7 milhões no mesmo período, ligeiramente abaixo do período homólogo anterior (-0,7%). Contudo, o elevado peso das transações desportivas nas receitas totais continua a evidenciar a dependência deste segmento na operação da empresa.
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