• Entrevista por:
  • ECO

Luís Magalhães, da Deloitte: “Ser transparente não deve implicar demasiados custos para as empresas”

Luís Magalhães, managing partner da Deloitte, considera ser importante encontrar um equilíbrio nas exigências de informação e custos para não afastar as empresas do mercado de capitais.

A Deloitte atribui esta quinta-feira Investor Relations & Governance Awards (IRGA), que visa distinguir as melhores práticas de governo e de transparência nas empresas. Para Luís Magalhães, managing partner da Deloitte Portugal, entidade que promove estes prémios, ser transparente não deve representar demasiados custos para as empresas porque isso afasta-as da bolsa. “É necessário encontrar um equilíbrio”, apontou Luís Magalhães ao ECO, sublinhando que isso será importante para incentivar as empresas a substituírem o financiamento bancário pelos mercados de capitais.

Quais as principais novidades desta edição dos IRGA?

Nesta edição, procurámos manter a relevância e a qualidade da iniciativa com o lançamento de novas categorias de nomeação, adaptando os IRGA à realidade do mercado. Uma das principais novidades é a distinção do Melhor Relatório e Contas – Empresas PSI-20 e do Melhor Relatório e Contas – Outras Empresas Cotadas. Concluímos que seria mais ajustado separar as maiores empresas da bolsa, as mais sofisticadas e as que têm mais recursos, face às demais empresas cotadas, cuja qualidade da informação prestada ao mercado merecia também um reconhecimento e um incentivo.

Há também um novo presidente de júri, Vítor Bento…

Contamos também com um novo presidente do júri, Vítor Bento, que lidera um colégio de jurados responsável pela atribuição dos prémios e do qual fazem parte António Gomes Mota, António Saraiva, Clara Raposo, Duarte Pitta Ferraz, Esmeralda Dourado, João Moreira Rato, Luís Amado, Nuno Fernandes e Patrícia Teixeira Lopes. E temos outras novidades que iremos revelar ao longo da gala.

Mais de 30 anos depois da primeira edição, qual a importância de se continuar a premiar as melhores empresas na relação com os investidores?

Quando iniciámos o IRGA, há mais de três décadas, o projeto tinha uma missão e uma dinâmica totalmente diferente daquela que conhecemos hoje. Na primeira edição, a informação financeira e os relatórios e contas eram bastante rudimentares. O percurso que fizemos desde então é assinalável e os prémios também fizeram parte desse incentivo. Na Deloitte, continuamos empenhados neste propósito porque as questões relacionadas com a transparência e qualidade da informação prestadas ao mercado vão manter-se sempre relevantes. Cada vez mais as empresas são escrutinadas e obrigadas a cumprir condições regulatórias extremamente exigentes, colocando importantes desafios a quem lidera as organizações. Sentimos, aliás, que as empresas, as instituições financeiras e os seus atores principais, nomeadamente os seus dirigentes e quadros superiores, incorporam cada vez mais rigor e qualidade na sua ação.

"Sentimos, aliás, que as empresas, as instituições financeiras e os seus atores principais, nomeadamente os seus dirigentes e quadros superiores, incorporam cada vez mais rigor e qualidade na sua ação.”

Luís Magalhães

Managing Partner

Como vê a evolução das práticas de governação das empresas portuguesas nestes últimos 30 anos?

Ao longo destes anos assistimos a um mundo em constante mudança. Novas ideias, novos negócios, novas abordagens, uma economia em crescimento. Mas também passámos momentos difíceis, como a crise financeira de 2008, que deixou marcas profundas. Atualmente o mercado está consciente que a transparência é fundamental. O grau de sensibilização para os temas de investor relations e de boas práticas dos agentes económicos nacionais é muito elevado. Temos hoje, felizmente, diversos exemplos de excelência, e são esses que temos vindo a destacar e a promover. Os reguladores foram e estão também mais exigentes. E é cada vez maior a necessidade de as empresas serem transparentes. Mas ser transparente não devia implicar que o processo de prestação de contas e de informação tenha de ser cada vez mais custoso, porque isso afasta as empresas da Bolsa. Temos cada vez menos empresas cotadas e menos empresas relevantes. É necessário encontrar um equilíbrio. É necessário garantir as condições para incentivar as empresas a substituírem, no que se refere ao financiamento do seu crescimento e atividade, o tradicional canal de empréstimos bancários e de dívida pelo mercado de capitais.

Quais são os principais desafios que as empresas portuguesas continuam a evidenciar em termos de governação e transparência?

Um dos principais desafios está na gestão do impacto que as forças externas às organizações (sociedade, tecnologia, ambiente, economia e política) estão a ter nas suas abordagens de negócio e nos respetivos modelos de liderança, governance e investor relations, exigindo uma rápida transformação e evolução. Paralelamente, verificamos uma proliferação de startups, que se têm vindo a afirmar, sobretudo na área das novas tecnologias, e que abrem um leque de oportunidades interessante para o futuro. Há uma expectativa positiva em relação à possibilidade de se poderem vir a tornar protagonistas por excelência do desafio da transformação tecnológica e, consequentemente, enriquecer o portefólio de empresas de referência e o mercado de capitais.

"Mas ser transparente não devia implicar que o processo de prestação de contas e de informação tenha de ser cada vez mais custoso, porque isso afasta as empresas da Bolsa. Temos cada vez menos empresas cotadas e menos empresas relevantes. É necessário encontrar um equilíbrio.”

Luís Magalhães

Managing Partner

Para a Deloitte, o que significa estar associada a estes prémios?

Ao promovermos estes prémios acreditamos que estamos a contribuir para a disseminação das boas práticas de transparência e rigor. Estamos também a promover a distinção daqueles que lideraram as organizações no mercado de capitais – os CEOs e CFOs das empresas cotadas na Euronext Lisbon, as equipas de Investor Relations Officers. Sabemos que estes prémios são importantes para estes protagonistas e naturalmente que, enquanto promotores, orgulhamo-nos de manter atualizada uma iniciativa tão viva mesmo 30 anos depois.

  • ECO

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Luís Magalhães, da Deloitte: “Ser transparente não deve implicar demasiados custos para as empresas”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião