Dinheiro mais verde? Nove opções para investir na sustentabilidade

Há cada vez mais produtos que permitem aos aforradores entrarem na onda das finanças sustentáveis. Conheça alguns dos principais depósitos e fundos disponíveis em Portugal.

Energias renováveis, água potável ou critérios ESG (ambientais, sociais e de governance). A sustentabilidade é cada vez mais preocupação global e as instituições financeiras estão a aproveitar as necessidades de financiamento para criar novos produtos financeiros para o retalho. Portugal não é exceção e os maiores bancos disponibilizam aos clientes depósitos e fundos que permitem entrar na onda da sustentabilidade.

Os ativos sob gestão de institucionais a seguir os critérios ESG atinge já os 3 biliões de dólares a nível mundial e os investimentos no universo das finanças sustentáveis já rendem 40 mil milhões de dólares em receitas para o sistema financeiro. A consultora Oliver Wyman antecipa que, à medida que os intermediários financeiros vão criando novos produtos verdes, o valor possa mesmo quadruplicar nos próximos anos.

Reafetar capital em investimentos ecológicos pode reduzir riscos e aumentar potenciais ganhos, com a onda de financiamento à transição da economia e ao combate às alterações climáticas. Mas apesar de haver um crescente número de intermediários financeiros a apostar neste segmento, a falta de regulação harmonizada que trave o greenwashing tem sido um problema.

Há um número crescente de investidores que quer ter em atenção o impacto ambiental e/ou as práticas de governo das empresas aquando da sua tomada de decisões de investimento“, aponta a análise da Sixty Degrees. “Os objetivos dos investidores são louváveis, sendo natural que desejem aplicar a sua carteira em áreas que valorizam e que estejam em linha com os seus valores pessoais”, diz, alertando no entanto que “a monitorização da atuação das empresas no que se refere aos fatores ESG deve estar incluída naquilo que se entende ser uma análise profunda dos casos de investimento, uma vez que todas estas matérias acabam por ser chave para a relação com reguladores e clientes”.

À medida que a tendência se torna mais popular, a corretora considera que é necessário que os investidores sejam “cautelosos” por ver “insuficiências” do atual standard de mercado. Enquanto não existem regras uniformizadas, são os bancos, gestoras de ativos e consultoras a definir os critérios gerais do que é ESG (que não deixam de cumprir os critérios de risco, por exemplo, que qualquer outro instrumento financeiro vendido ao retalho).

Pela mesma razão, não há dados específicos sobre a oferta disponível. Assim, o ECO compilou alguns dos principais produtos oferecidos pelos maiores bancos em Portugal:

  • Dívida verde

A adaptação de fundos de investimento mais clássicos à nova tendência resulta nos fundos com critérios ESG. É o caso do Fundo Santander Sustentável, da Santander Asset Management. Obriga a um investimento inicial de 500 euros (que são investidores maioritariamente em obrigações mas também até 20% em ações) e ao pagamento de uma comissão de gestão de 1,1%, mas no último ano rendeu 4,5%.

Na Caixa Geral de Depósitos, o fundo Caixa Investimento Socialmente Responsável pretende investir em empresas que apresentam as melhores práticas em áreas como respeito pelos direitos humanos, impacto ambiental ou gestão de recursos humanos e excluir entidades envolvidas em setores considerados controversos. Com um montante mínimo inicial de 100 euros, tem uma rentabilidade anualizada de 4,85%. Após 180 dias, não tem comissões.

O IMGA Iberia Fixed Income ESG é um fundo de investimento mobiliário aberto da gestora IM Gestão de Ativos comercializado, por exemplo, pelo BCP. No último ano, rendeu 4,93%, sendo que as comissões são de cerca de 0,88%. O investimento mínimo é de 500 euros. Nos três casos, os fundos têm maioritariamente dívida, mas também ações.

  • Ações de empresas sustentáveis

Além destes, há fundos dedicados apenas a ações, que galoparam o forte desempenho das bolsas no ano passado, mas também estão a ser mais penalizados pelo tombo vivido devido ao coronavírus. É o caso do Caixa Ações Europa Socialmente Responsável, da Caixa Geral de Depósitos, que investe predominantemente em ações de empresas cotadas na União Europeia, Suíça e Noruega. Com um investimento mínimo de 100 euros, rendeu 7,76% no último ano.

O IMGA Iberia Equities ESG, comercializado pelo BCP, aposta em empresas cotadas nos mercados regulamentados em Portugal e Espanha ou, se cotadas noutro mercado regulamentado, com gestão ou fontes de receitas relevantes nestes dois mercados. No caso deste fundo, a rentabilidade anualizada é negativa em 6%.

  • Aposta na água, energia ou saúde

Os fundos de obrigações, ações ou mistos são a adaptação das opções clássicas à sustentabilidade, mas há ainda produtos temáticos, ou seja, que apostam num segmento de mercado como água, energia ou saúde. O Sustainable Energy Fund da BlackRock, comercializado pelo BCP, é um fundo de ações do setor de energia alternativa, que investe em ações ligadas a serviços públicos, indústria, tecnologia e materiais básicos, na Europa e EUA. No último ano, rendeu 15%. A energia é igualmente o foco do Caixagest Eenergias Renováveis, que acumula uma rentabilidade anualizada de 4,53%.

O fundo de ações Pictet Water R Eur, cuja entidade gestora é a Pictet Asset Management mas é comercializado em Portugal pelo banco Best, permite ter exposição ao setor da água. Investe em ações de empresas globais que se dedicam ao abastecimento e serviços de tratamento e abastecimento de água, bem como a empresas associadas ao desenvolvimento de tecnologias e serviços ambientais. Rendeu, no último ano, 14%.

Os fundos não são a única opção de investimento ESG. No Novo banco, por exemplo, a aposta tem sido em depósitos estruturados. Já lançou vários, mas como os períodos de subscrição são curtos, é preciso estar atento. Até 23 de março, está disponível o depósito NB ESG Melhor Saúde, um produto a dois anos com um montante mínimo de 500 euros e cujos ativos estão subjacentes a empresas que desenvolvem atividade no setor da assistência médica e no desenvolvimento tecnológico na área da saúde.

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António Costa

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