“Empresas que diversificam têm mais capacidade em suportar crises”. Oiça o podcast com Amélia Santos, CEO da Innuos

Referenciado por empresas como a Bang & Olufsen, a Innuos produz a fonte digital com melhor qualidade de som a partir de Portugal. A CEO da startup, Amélia Santos, é convidada do Start now. Cry later.

Amélia Santos e Nuno Vitorino viviam em Londres quando a mesa da sala se transformou num laboratório de software e hardware de som de alta definição. Sim, leu bem. Nuno usou a mesa da sala da família para construir o protótipo daquele que, hoje, é considerado o servidor, ou seja, a fonte digital com a melhor qualidade de som a nível internacional. O servidor criado por Nuno é a solução para manter a qualidade de som e, assim, criar uma resposta digital em alta fidelidade para um mercado altamente assente no analógico. Não havia soluções digitais: o que a Innuos fez foi criar um computador completamente pensado para tocar música.

“Um dia pensámos: por que não experimentamos colocar à venda no eBay? (…) Qual não foi a nossa surpresa quando, ao fim de seis meses, tínhamos vendido umas 200 unidades”, recorda Amélia, CEO e cofundadora da Innuos, no podcast Start now. Cry later. “Depois de encontrarmos a ideia, era um desperdício não avançarmos com ela e testarmos”, acrescenta.

Amélia Santos, cofundadora e CEO da Innuos, é a convidada do sexto episódio do podcast “Start now. Cry later”.D.R.
À medida que o projeto ia evoluindo, os fundadores iam descobrindo o quanto gostavam do desafio de fazer uma coisa nova, de raiz. “O meu receio em termos de risco foi-se reduzindo no sentido em que eu efetivamente me fui apercebendo de que havia mercado”, acrescenta Amélia Santos.

Os dois fundadores decidiram, na mesma altura, que queriam fazer bootstrap do projeto, ou seja, não procurar investimento externo e arrancar apenas com capitais próprios. Uma das medidas aplicadas para poderem avançar com essa ideia foi o regresso a Portugal, considerando os custos de operação mais baixos, assim como a qualidade dos recursos técnicos. “Se tivéssemos arrancado com este negócio em Portugal, se calhar a resposta do mercado levar-nos-ia a pensar que não tinha potencial”, alerta Amélia.

“O facto de não procurarmos investidores foi consciente no sentido em que sabíamos que a indústria que estávamos a endereçar era um nicho, embora seja um nicho que vale 17 mil milhões de dólares, a nível mundial. Mas o modelo que nós pensávamos não teria um retorno tão rápido como o capital de risco iria exigir”, explica a cofundadora.

Sabíamos que a indústria que estávamos a endereçar era um nicho, embora seja um nicho que vale 17 biliões de dólares, a nível mundial. Mas o modelo que nós pensávamos não teria um retorno tão rápido como o capital de risco iria exigir.

Amélia Santos

Cofundadora e CEO da Innuos

Entre 2009 e 2016, Amélia e Nuno trabalharam no desenvolvimento do produto e, em 2016, lançaram a sua primeira versão. “Nunca deixámos de produzir unidades porque era uma forma que nós tínhamos de percebermos de que é que o mercado precisava, em termos de eletrónica e software. Demora algum tempo a fazer um produto assim e a perceber o mercado”, adianta.
Entretanto, mudaram-se para o Algarve por considerarem que o projeto podia marcar mais a diferença num ecossistema como o do sul de Portugal e também pelos custos de operação mais baixos. “Mais tarde acabámos por criar um escritório em Lisboa, daí a ligação à Startup Lisboa, para a parte de desenvolvimento de software. Sentimos que, para esta área, em termos de talento, precisávamos de estar baseados em Lisboa para fazermos crescer a equipa.”
Com o passar do tempo, a Innuos começou a receber prémios internacionais e a ser reconhecida – e recomendada – por marcas de referência internacionais como a Bang & Olufsen. Em 34 mercados no mundo inteiro — sendo os Estados Unidos e Reino Unido os mais importantes –, 99% do negócio da Innuos assenta em contactos de lojas que querem vender os seus produtos.
O preço dos servidores da Innuos varia entre os 1.000 e os 15 mil euros. Entre os principais desafios dos últimos meses esteve, como em muitas empresas, uma resposta efetiva às condições trazidas pela pandemia da Covid-19. “Talvez durante a pandemia as pessoas tenham tido mais tempo para ouvir música, mas tivemos de adaptar o nosso modelo ao facto de as lojas estarem fechadas. (…) Empresas que estão assentes em diversificação – de mercados, de produto – têm mais capacidade de suportar a crise”, assinala Amélia.

Pode ouvir o episódio completo “Incubadoras: alavanca ou adversidade” aqui:

O podcast “Start now. Cry later” é um projeto da jornalista Mariana de Araújo Barbosa e da Startup Portugal, que conta com o apoio da revista Pessoas. Pode ouvir os episódios e seguir o projeto aqui.

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