Uma carta de um empresário a Siza Veira. Corte de impostos em vez do lay-off

Luís Guimarães é empresário têxtil, dono da Polopique, e não quer mandar os trabalhadores para lay-off. "Um alívio de impostos na totalidade" sairia mais barato ao Estado.

No momento em que milhares de empresas recorrem ao lay-off simplificado para ultrapassarem a situação de crise, há também empresas e empresários que querem outros caminhos, como a Polopique e Luís Guimarães. Em carta enviada ao ministro da Economia, Siza Vieira, o empresário pede ao Governo para trocar a possibilidade de lay-off por uma redução de impostos para as empresas que mantenham os todos os postos de trabalho.

Luís Guimarães admite a necessidade do lay-off simplificado total ou parcial, mas considera que este mecanismo “pode ter deixado de fora algumas realidades que, a serem acauteladas, poderão ser mais vantajosas para o Estado, as empresas, os trabalhadores e o país”. A Polopique exportou mais de 120 milhões de euros em 2019, emprega mil trabalhadores e quer mantê-los em laboração, mesmo com a quebra de volume de negócios. “Afirmo isto por ter vontade de manter as rotinas, seguindo todas as orientações da DGS. Mantendo assim uma força de trabalho pronta e preparada para uma retoma que esperamos aconteça antes cedo do que tarde“, escreve o empresário.

Nuno Oliveira/Portugaltextil

Qual é a alternativa? “Um alívio dos impostos na totalidade a quem não parasse a sua atividade, que geraria um custo menor para o Estado, não deixando paralisar as empresas”, com o objetivo de encontrar novos mercados e novos produtos e também para responder à emergência que se vive. A Polopique, já revelou o ECO, está a produzir batas para os hospitais em todo o país, num investimento superior a 150 mil euros. Mas, acrescenta Luís Guimarães, “o atual enquadramento torna muito mais fácil e vantajoso desmobilizar toda a força laboral e depender grandemente do Estado nestes longos meses”.

Luís Guimarães pede também ao ministro da Economia para olhar para a Caixa Geral de Depósitos. “Uma outra preocupação é a dificuldade de acesso ao crédito com que nos debatemos para ultrapassar este momento tão difícil em que nos encontrámos e em especial do banco do Estado, a CGD. E onde está agora? Fora das empresas, do nosso setor, e na minha opinião deveria ser o banco que mais aberto estaria a propostas de financiamento e é precisamente o oposto, assobiam para o lado“.

Neste carta, a que o ECO teve acesso, o empresário reclama a legitimidade do pedido com o que a Polopique fez na última crise. “Aquando a crise de 2011 e com a entrada da Troika, o nosso grupo não só aguentou essa crise devastadora do emprego como contratou e investiu até à data mais de 80 milhões de euros. À época tínhamos 160 colaboradores, em finais de 2015 já tínhamos 1000 e, destas, em junho de 2011 vieram 330 de uma empresa que estava prestes a encerrar. Não só salvamos essa empresa como pagamos avultadas dívidas ao Estado“.

É muito importante olhar para aquelas empresas que não querem fazer do Estado uma saída para a frente prejudicando todo o nosso tecido empresarial, como é o nosso caso e de muitas outras empresas.

Luís Guimarães

Luís Guimarães garante que os trabalhadores da Polopique ganharam sempre acima do salário mínimo nacional, usufruem de seguro saúde, assim como os seus cônjuges e dependentes, seguro de vida, 10% dos lucros, almoçam na cantina por 1 € e recebem um cabaz de Natal. E, já no contexto desta crise, “oferecemos um cabaz com alimentos para que não necessitem de sair de casa e não se exponham a esta epidemia enfim benefícios e regalias para o seu bem estar que é uma preocupação permanente no nosso dia a dia”.

É muito importante olhar para aquelas empresas que não querem fazer do Estado uma saída para a frente prejudicando todo o nosso tecido empresarial, como é o nosso caso e de muitas outras empresas“, escreve o empresário têxtil. “Acredite que o que lhe proponho é para bem no nosso setor e são empresas como a nossa que vão fazer o país sair desta crise bem mais rápido do que aquelas que se estão a servir do Estado escondendo-se no lay-off”.

Nota: A Polopique é acionista do ECO.

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