5 histórias de pessoas que precisam de silêncio

O som do silêncio começa a ser um bem escasso e raro que vale quase tanto como água no deserto. Aqui deixo 5 histórias de gente que precisa de mais silêncio

Paulo Macedo – tem o trabalho da sua vida. Pacificar uma marca, dar tranquilidade aos milhares de funcionários, tirar a Caixa Geral de Depósitos do abismo negro (2 mil milhões de prejuízos) em que quase durante um ano esteve ingovernável, enquanto fazia manchetes e gerava histórias que nada têm que ver com a sua actividade que é essencial para o desenvolvimento da economia. Pede-se silêncio para que tudo volte aos eixos.

Carlos Costa – teve de dar explicações, notas e entrevistas para “damage control” dos danos reputacionais que a instituição que tutela sofreu após a excepcional reportagem da SIC. O Banco de Portugal (BdP) e o seu Governador foram completamente chacinados mediaticamente após todos os portugueses terem percebido que as estações mudam, o sol volta a qualquer momento, os dias nascem, mas só no BdP nada muda. Costa, o Carlos, sentiu a pressão da opinião pública e decidiu falar durante uma semana. Já chega, o silêncio é uma imagem de marca do BdP. E ser mais assertivo no combate às disrupções do sistema financeiro também devia ser. Não é,

Marcelo Rebelo de Sousa – Um ano do Presidente que é a «princesa do povo, como a princesa Diana», como vi numa reportagem do Expresso. É certo que, para mim, Belém ganhou com este ano de magistério de afectos, ternura e simpatia em comparação com a Presidência de museu de cera do seu antecessor. Porém, mais de 976 mil selfies e um excesso de declarações, a torto e a direito, muitas sem sentido e sem sentido de Estado, levam a pedir mais contenção a Marcelo. Pois já todos percebemos que o seu pecado original é a falta de momentos para respirar silêncio.

Jaime Nogueira Pinto – tornou-se notícia esta semana por patetice de umas criancinhas e cobardia de um Caramelo. O comentador estava num limbo de inexistência, do qual já ninguém se lembrava muito bem, a publicar uns livros que ninguém lê e a ser consultor de uns negócios relacionados com África. Causou ruído porque não o deixaram falar e o seu caso é uma evidência da classe com que um elefante atravessa uma loja de porcelanas. O “elefante” desta história ridícula não é o Jaime, mas sim o bando de criaturas da associação de estudantes que devia estar quieta. Sim, é tempo dos patetas se dedicarem a cultivar o silêncio.

Marques Mendes – os seus comentários não me interessam rigorosamente nada e têm para mim a credibilidade de uma ervilha. Este senhor tem um espaço que mais ninguém tem em nenhuma televisão generalista no mundo inteiro. Dizem que tem um milhão de audiências, mas, nas sondagens internas do seu partido realizadas com o seu nome para Lisboa, é barbaramente sovado por Medina e Cristas, o que prova que as pessoas não gostam dele e até o Rato Mickey teria um milhão de espectadores para o verem comentar os seus interesses pessoais. Esta semana, mais uma vez, os espectadores aguardam que ele preste esclarecimentos, e que a jornalista lhe faça perguntas, sobre o papel que teve nos vistos Gold (será ouvido por testemunho escrito em tribunal) e em empresas das quais era sócio com Miguel Macedo e outro indivíduo e que até serviços prestava a empresas de jardinagem. Se não esclarecer nada, que tenha a vergonha de se calar.

Nota: Por decisão pessoal, o autor não escreve de acordo com o novo acordo ortográfico.

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