A importância do setor logístico na empregabilidade local

  • Francisco Matias
  • 14:00

Ao apostar em melhores condições de trabalho, carreiras longas, políticas de diversidade e inclusão e em requalificação, a logística pode afirmar-se como um dos setores mais relevantes no emprego.

O setor logístico é, muitas vezes, o “bastidor” da economia. Cada encomenda que chega a casa, cada produto disponível na prateleira certa, à hora certa, depende de uma cadeia logística complexa, altamente coordenada e, sobretudo, feita de pessoas. E é precisamente aqui que está um ponto que nem sempre é valorizado: o papel da logística e do transporte expresso enquanto motor de emprego local, em vilas, cidades e regiões que, muitas vezes, têm poucas alternativas de criação de postos de trabalho qualificados e estáveis.

Num país onde o interior continua a enfrentar desafios de desertificação e envelhecimento demográfico, a logística pode, e deve, ser entendida como um aliado estratégico do desenvolvimento regional.

Cada nova plataforma logística é, na prática, um pequeno ecossistema de emprego. Um centro de distribuição integra equipas de operações, manutenção, segurança, qualidade, recursos humanos e gestão. Do lado da distribuição, juntam-se condutores, operadores de triagem, equipas de apoio ao cliente e parceiros locais. A isto, somam-se serviços de limpeza, segurança, restauração, comércio local e transporte que gravitam em torno da operação. A presença de um operador logístico numa determinada região tem, por isso, um efeito multiplicador que vai muito além da operação em si, criando emprego direto e indireto, bem como atividade económica local.

Criar emprego local significa permitir que as pessoas possam trabalhar e viver na sua região, sem terem de migrar para os grandes centros urbanos ou optar entre emprego e qualidade de vida. No setor logístico e do transporte expresso, esta proximidade é particularmente visível: muitos condutores, operadores de triagem ou outros colaboradores de estações locais vivem a poucos quilómetros do seu local de trabalho, reduzindo assim tempos de deslocação e facilitando a conciliação entre vida profissional e pessoal.

O impacto é ainda mais evidente quando olhamos para as lojas de proximidade que funcionam como pontos de levantamento de encomendas. Papelarias, mercearias, lojas de informática ou estações de serviço que integram a rede Pickup acrescentam um serviço relevante ao seu negócio, atraem novos clientes e reforçam a sua sustentabilidade. Cada encomenda levantada é uma oportunidade de venda adicional. Em muitas localidades, estas redes ajudam literalmente a manter portas abertas e criam empregos que, de outra forma, poderiam desaparecer. Ou seja, a logística não cria apenas emprego dentro dos seus centros; potencia emprego em dezenas ou centenas de pequenos negócios que fazem parte do tecido económico local.

Naturalmente, o setor enfrenta desafios: necessidade de atrair e reter talento, conciliação entre horários exigentes e qualidade de vida, pressão regulatória e custos energéticos. Mas é precisamente nestes pontos que reside a oportunidade de reforçar o papel da logística e do transporte expresso na empregabilidade local. Ao apostar em melhores condições de trabalho, em carreiras longas, em políticas de diversidade e inclusão e em programas de requalificação ligados à transição energética e à digitalização, a logística pode afirmar-se como um dos setores mais relevantes para o futuro do emprego em Portugal.

Investir em logística e no transporte expresso é investir em emprego, em qualificação e em desenvolvimento regional. E esse compromisso com as pessoas e com os territórios deve estar no centro das decisões que tomamos, todos os dias, enquanto setor.

  • Francisco Matias
  • Diretor de recursos humanos da DPD Portugal

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