Afetos a mais também enjoam

A postura discreta da Presidência da República é hoje uma miragem. A figura do Presidente moderador morreu e nos próximos anos teremos que viver com um Presidente jogador.

Sou monárquico, como tal, a ideia de um Chefe de Estado que se coloca acima do jogo político até me parece bem. Acontece que Marcelo bem que tenta estar acima, mas coloca-se sempre ao lado. Neste caso, do lado onde estiver a Geringonça.

O mais errado no meio disto tudo é Marcelo não o fazer por convicção, mas antes por oportunismo. Esta constante vontade de agradar, impelem o Presidente da República a não ser mais do que um Presidente da situação. Um catavento mediático, como alguém um dia lhe chamou.

A esquerda tem hoje um Governo, uma maioria e um Presidente. Mas o mais interessante no meio disto tudo, é pensarmos que quem abriu o flanco e tornou esta situação possível foi a direita. A mesma direita que não teve coragem de apresentar um candidato alternativo à presidência da república e que ficou em casa enquanto a esquerda tomava ilegitimamente conta do poder, depois de umas eleições ganhas pelo PSD e pelo CDS.

Mas águas passadas não movem moinhos. Está na hora de olhar em frente. Com um Presidente obcecado com a sua própria imagem e popularidade, o futuro promete ser mais animado do que muitos esperam.

O episódio Centeno mostrou a António Costa que Marcelo afinal não é o amigo que parecia à primeira vista ser. Tal como Marcelo (ainda comentador) já o tinha provado, semana após semana, a Passos Coelho (ainda primeiro-ministro).

A postura discreta da Presidência da República é hoje uma miragem. A figura do Presidente moderador morreu e nos próximos anos teremos que viver com um Presidente jogador. Habituemo-nos a viver com isto, dizem que é uma questão de afetos.

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