As comunidades de energia enquanto promotoras de benefícios sociais, económicos e ambientais

  • José Basílio Simões
  • 22 Dezembro 2021

A produção centralizada também deve passar a ser, tendencialmente, local, o que permite reduzir custos e impactos no ambiente.

Consumidores de energia transformados em produtores, mas também vendedores. Comunidades que são alternativas ao mercado, constituindo parcerias colaborativas para oferecer eletricidade limpa a partir de fontes renováveis. Preços mais baixos do que aqueles que são praticados pelas principais empresas do setor. A proposta parece demasiada boa, mas será impossível? A resposta é “não” e talvez este seja o momento ideal para questionar o modelo tradicional de produção centralizada.

De 2021 ficarão memórias de um ano marcado pelo aumento dos preços da energia no mercado grossista e pelas promessas goradas da COP26, já que os compromissos para a mitigação das alterações climáticas, nesta “década crítica”, voltaram a esbarrar em forças de bloqueio. Curiosamente, tudo isto aconteceu à medida que, por cá, as temperaturas baixavam, escancarando uma vez mais o tema da pobreza energética.

Em Portugal, apesar de existirem alguns incentivos, o problema parece ser visto como uma fatalidade, que resulta de casas ineficientes, rendimentos baixos e preços de eletricidade demasiado elevados para muitas carteiras. Os grupos vulneráveis, em especial os idosos, acabam por ser afetados de forma desproporcional, até porque se debatem, muitas das vezes, com o dilema de comer ou passar frio.

Se pensarmos na solução apenas com base em energia mais barata, estaremos sempre a responder ao problema de forma parcial. O caminho terá de passar por uma abordagem integrada aos vários vetores energéticos e focado na descarbonização.

A retoma económica pós-pandemia é uma realidade e ninguém quer enfrentar um cenário de crise energética e ambiental. No entanto, é preciso ir além das receitas de sempre para uma doença conhecida. Como? Em primeiro lugar, necessitamos de alterar a ideia do papel tradicionalmente passivo dos consumidores de energia, tornando-os participantes ativos do mercado. Depois, a produção centralizada também deve passar a ser, tendencialmente, local, o que permite reduzir custos e impactos no ambiente.

Tudo isto está em linha com as políticas europeias que introduziram o enquadramento jurídico para permitir a venda de energia limpa diretamente aos consumidores através das Comunidades de Energia Renovável (CER) e das Comunidades de Cidadãos para a Energia (CCE). Os benefícios destas serão sempre maiores quanto mais participantes se juntarem a esta revolução da energia limpa.

Por outro lado, o desempenho energético já levou a Comissão Europeia a anunciar que pretende, no mínimo, duplicar as taxas de renovação dos edifícios para uma maior eficiência na utilização de energia e recursos. Mas, até lá, os números dizem-nos que há muito para fazer, desde logo porque 34 milhões de europeus continuam sem ter meios económicos para manter as suas casas aquecidas.

O momento exige soluções práticas e, sobretudo, inclusivas. Neste capítulo, as comunidades de energia, enquanto promotoras de benefícios sociais, económicos e ambientais, contribuem para a saúde e o bem-estar das pessoas, ao mesmo tempo que permitem reduzir as suas

  • José Basílio Simões
  • Presidente da Cleanwatts

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