“Big bang” nos videojogos

A compra da Activision Blizzard pela Microsoft foi recebida com estrondo no mundo dos negócios. Os 69 mil milhões de dólares que vai gastar sugerem algumas lições.

O que a Microsoft vai pagar por uma empresa de videojogos dava para comprar oito vezes a Galp Energia e 25 vezes o Millennium BCP. São cerca de 69 mil milhões de dólares que a gigante do software ofereceu pela Activision Blizzard, a controversa empresa que desenvolve os jogos Call of Duty e World of Warcraft.

É difícil de imaginar sequer o que são 69 mil milhões de dólares, pelo que só comparando é que podemos ter a noção do que estamos aqui a falar.

O dinheiro que a Microsoft vai desembolsar por aquela empresa resolvia quase 20 vezes o problema das injeções que Portugal tenciona fazer para salvar a TAP e permitia à região de Porto Rico pagar duas vezes o que deve nos EUA e ainda sobrava dinheiro.

Ao pé disto, os 8,45 mil milhões que a Amazon vai pagar pela produtora de James Bond parece uma breve ida ao shopping.

Tenho a certeza de que este negócio fez muita gente coçar a cabeça. Principalmente os burocratas e velhos do Restelo, que muito provavelmente nunca ouviram sequer o nome Activision Blizzard. Pelo contrário, pergunte a um jovem o que é Call of Duty e a reação poderá ser outra. Este é um investimento da Microsoft para o futuro, porque é dos jovens esse futuro e os velhos já não estarão cá.

Este movimento de consolidação junta duas das maiores potências mundiais na indústria dos videojogos, provavelmente uma das mais rentáveis, mas também das mais subestimadas em todo o mundo. Não podemos esquecer de que a Microsoft é a dona da consola Xbox, o que ajuda a explicar a subsequente derrocada nas ações da Sony em bolsa.

Na justificação que deu para concretizar esta compra, a Microsoft proferiu a palavra mais tech trendy do momento – “metaverso”. Se o futuro passa mesmo por estes mundos virtuais paralelos (tenho muitas dúvidas), a empresa estará bem posicionada para ser um player de relevo. Afinal, o World of Warcraft pode bem ter sido o primeiro e o maior metaverso a que este planeta já assistiu… e foi há mais de uma década.

Desconhecemos o detalhe da estratégia da Microsoft para a Activision, mas este negócio já tem o mérito de pôr o setor dos videojogos, finalmente, no mapa dos negócios internacional. Uma indústria que, apesar da rentabilidade e do volume de massa crítica, é minada pelo problema crónico da precariedade laboral.

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