Como podem as renováveis ajudar a baixar o preço da eletricidade?

  • Pedro Amaral Jorge
  • 5 Janeiro 2022

Quando mais depressa reforçarmos e aumentarmos a capacidade instalada das renováveis, mais depressa deixaremos de estar reféns da volatilidade e aumento dos preços do gás natural.

Atualmente as renováveis já contribuem de forma determinante e significativa para baixar o preço da eletricidade, que nos últimos meses tem registado máximos históricos no mercado grossista ibérico por conta do aumento do preço do gás natural e da subida do custo das licenças de emissão de CO2.

Há uma grande parte da produção renovável em Portugal – a Produção em Regime Especial (PRE) – que está sujeita a preços fixos, as chamadas feed in tarifs, que, atualmente, com a alta de preços que se verifica, constituem um significativo sobreganho para o sistema.

O superavit financeiro gerado permitirá acomodar o impacto da subida brutal dos preços nos mercados grossistas no próximo ano. A ERSE confirmou, em dezembro, uma descida de 3,4 por cento na tarifa média de eletricidade, face aos preços atuais, para o mercado regulado em 2022.

A tarifa regulada, definida pela entidade reguladora, é especialmente revelante porque serve de referência ao mercado liberalizado. Esta tendência decrescente das tarifas é uma realidade para os consumidores domésticos, mas é também, e de forma mais significativa, para os industriais, já que as tarifas de acesso à rede neste segmento terão uma redução de 94 por cento no próximo ano.

E como é que as renováveis contribuir mais ainda para a descida dos preços de energia elétrica no mercado?

O mercado grossista assenta num modelo marginalista, o que significa que o preço da eletricidade no mercado spot é ditado pela oferta mais cara necessária para satisfazer a procura. Neste modelo todos os produtores recebem por igual, independentemente dos custos variáveis associados às diferentes tecnologias e que são incomparavelmente mais altos para a produção à base de combustíveis fósseis.

Com os preços do gás natural a registar máximos é inevitável que os preços da energia elétrica subam exponencialmente, levando outras tecnologias a obter a mesma remuneração (com exceção da PRE renovável que mantém um preço fixo que é atualmente mais baixo do que o valor de mercado).

Quando mais depressa reforçarmos e aumentarmos a capacidade instalada das renováveis e acelerarmos a transição energética, acautelando a segurança de abastecimento, mais depressa deixaremos de estar reféns da volatilidade e aumento dos preços do gás natural.

Esta é uma breve análise que comprova que apostar nas renováveis compensa economicamente. Não evoco a urgência climática que, só por si, justificaria a necessidade de descarbonização: a Organização Meteorológica Mundial veio confirmar esta semana que foi atingido um novo recorde de temperatura máxima na Sibéria, em junho de 2020, com os termómetros a atingir os 38ºC.

  • Pedro Amaral Jorge
  • Presidente da APREN

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