Construindo pontes através da inovação: Israel e Portugal

A inovação não foi sempre utilizada para encontrar soluções. Ela foi por vezes usada para criar oportunidades ou mesmo novas realidades no terreno.

No mundo de hoje, o desenvolvimento científico e tecnológico é muitíssimo rápido e dinâmico. A cada par de décadas acontecem revoluções e, por essa razão, Estados, sociedades e empreendedores têm também de ser dinâmicos e ter um espírito inovador! Sem isso, vão ficar para trás, sem grandes opções ou capacidade de competir. No futuro, a inovação científica e tecnológica será a chave para o sucesso económico.

Israel, desde a sua fundação e, por necessidade, não teve outra opção que não a de adotar a inovação tecnológica. Tem sido sempre importante, senão mesmo crítico, encontrar soluções em tantas ocasiões para desafios que se nos colocavam, alguns dos quais incluindo perigosas e sofisticadas ameaças para a nossa segurança, outros causados pela natureza — como a falta de água, por exemplo. A inovação não foi sempre utilizada para encontrar soluções. Ela foi por vezes usada para criar oportunidades ou mesmo novas realidades no terreno.

Desde então e até hoje, o país já enfrentou tantas mudanças, ideias, invenções e grandes vendas de startups, seguindo o panorama internacional sempre em mutação. Isto é que fez de Israel o que é hojeum hub tecnológico internacional com mais de 6.000 startups e centros de I&D das mais importantes e influentes empresas de todo o mundo nos mais recentes setores em desenvolvimento, tais como a cibersegurança, medicina, transportes, cidades inteligentes, tecnologias de viagens/travel-tech e muitos outros.

Por outro lado, Portugal tem vindo a transformar-se num hub vibrante e dinâmico com um ecossistema muito interessante e uma grande dose de talento, atraindo muitas empresas e players da Europa e outros locais. Não há dúvida de que o setor privado é o principal motor por detrás desta dinâmica, mas também é verdade que nada disto teria sido possível sem políticas inteligentes e de investimento por parte do Governo. Nesta matéria, gostaria de felicitar Portugal pela decisão da Web Summit de continuar a realizar-se em Lisboa nos próximos dez anos. Esta é uma grande conquista que vai certamente continuar a contribuir para o desenvolvimento do tecido tecnológico de Portugal.

Os governos e instituições oficiais podem, nem sempre mas por vezes, ser muito úteis para puxar a carruagem ou remover os obstáculos no seu caminho, o que se faz também através da definição e criação de colaborações com outros parceiros internacionais.

Na Embaixada de Israel em Lisboa, pensámos e continuamos a pensar que este é um bom momento para aproximar e aumentar as interações entre os aceleradores israelitas e portugueses, entre empresas e mesmo entre projetos governamentais na área da inovação. Nos últimos anos, construímos uma estratégia com base em três eixos principais.

Primeiro, expondo os dois ecossistemas um ao outro. Para isso, encorajamos e, por vezes, convidamos jornalistas e entidades oficiais a visitar as nossas conferências mais relevantes, como é o caso da DLD Conference, Agritech, Cybertech, Biomed e muitas outras.

Em segundo lugar, utilizando e ligando as nossas atividades a plataformas locais já existentes, que foi o que fizemos por ocasião da Web Summit, do Lisbon Tourism Summit e da BTL, por exemplo. Também organizámos concursos para startups em Portugal com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, como foi o caso do Start Tel Aviv ou Start Jerusalem, para os quais contámos sempre com a colaboração de um parceiro local, como a Beta-i, Made of Lisboa, COTEC, Centro para a Inovação Tecnológica e Empreendedorismo da Universidade Católica Portuguesa e outros.

Em terceiro lugar, e isto é algo que fazemos com muita frequência, coordenando e agilizando encontros B2B entre empresas e entidades económicas de ambos os países.

Ao fazer tudo isto, estamos de facto a implementar no terreno tudo o que o trabalho diplomático significa nos dias de hoje: identificar o potencial e fazer a ligação entre os profissionais dos dois países para que os negócios se concretizem!

  • Conselheiro político e chefe de missão da Embaixada de Israel em Lisboa

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