Portugal vai pagar 11 milhões por ano ao Web Summit até 2028

O contrato inclui uma cláusula de rescisão de 340 milhões de euros por cada ano em que o evento não se realize na capital.

Portugal vai pagar 11 milhões de euros por ano ao Web Summit para manter o evento em Portugal nos próximos dez anos. O valor do investimento, repartido entre o Fundo de Desenvolvimento Turístico lisboeta e o Ministério da Economia, foi anunciado pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, esta manhã no Altice Arena.

Além dos 11 milhões de investimento anual, a autarquia lisboeta planeia também investir no complexo da FIL, primeiro de “forma temporária e depois definitiva”, adiantou Medina, num valor que ainda não foi divulgado. A ideia é que o espaço de exposição da FIL fique com o dobro da capacidade expositora. Terá sido esta alteração que ajudou a organização a decidir por Portugal, em detrimento de cidades como Madrid, Valência e Londres. O objetivo da Câmara de Lisboa é aumentar a infraestrutura que depois será rentabilizada com outros eventos. Medina quer “fazer de Lisboa uma capital da inovação, do empreendedorismo e do talento”.

“Este investimento vai permitir fazer crescer o Web Summit para 100 mil participantes, ou mais”, disse Fernando Medina.

O Web Summit, maior evento de tecnologia e empreendedorismo criado em Dublin e que se mudou para Lisboa em 2015, fica na cidade até 2028 mas, se por qualquer razão decidir sair do país antes dessa data, terá uma contrapartida. O contrato assinado pelo Governo, autarquia e organização inclui ainda uma cláusula de rescisão de 340 milhões de euros por cada ano que não se realize na capital.

“Quando você cresce, nós crescemos consigo”, sublinhou António Costa, na cerimónia de anúncio oficial de que o Web Summit vai ficar em Portugal. O primeiro-ministro revelou que, o ano passado, o Estado conseguiu arrecadar 30 milhões de euros de receita fiscal direta. Mas mais do que uma questão de receitas para o Estado, o Chefe de Governo frisou que se trata de tentar que Portugal seja visto como “um país da inovação e da tecnologia”. “Dá a imagem de que o país é capaz de atrair para Portugal empresa altamente tecnológicas que criam emprego altamente qualificado”, acrescentou.

“Estamos muito felizes por ficar em Lisboa nos próximos 10 anos”, disse Paddy Cosgrave na abertura da conferência de imprensa, ao lado de António Costa e Fernando Medina.

Estamos muito felizes por ficar em Lisboa nos próximos 10 anos.

Paddy Cosgrave

CEO e cofundador do Web Summit

“Este homem [referindo-se a Fernando Medina] ligou-me depois da meia-noite quando as coisas não estavam a avançar. (…) E fez dos melhores discursos depois da meia noite que já ouvi, seguramente depois de jantar num bom restaurante e com um bom vinho. (…) Fui para o meu hotel, depois fui jantar sozinho, cruzei-me com um grupo de engenheiros do Exército, e depois com um grupo de trabalhadores jovens da Farfetch, que me perguntaram para onde ia o evento. Todos estes momentos em que fui abordado me inspiraram”, contou o CEO do Web Summit sobre o processo de negociação com Lisboa para a continuidade do Web Summit.

Admitindo que o acordo de dez anos possa “ser a decisão mais louca” que já tomou já vida, Paddy está confiante de que “será, a médio prazo uma boa decisão”, disse, elogiando as equipas de Theresa May e de outros países que mantiveram conversações com a organização do evento nos últimos meses.

“Acho que em Lisboa vamos construir um bom futuro”, acrescentou. “Foi um enorme esforço, estamos tão contentes e queremos planear o futuro é tornar o Web Summit uma coisa muito melhor do que é hoje”.

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