Edifícios e veículos elétricos: um binómio sustentável

  • Patrícia Pimenta
  • 19 Abril 2021

Ao apostar na mobilidade elétrica, o setor dos edifícios poderá tornar-se um agente-chave na descarbonização da economia.

Prevê-se que a procura energética mundial aumente 40% até 2040. Simultaneamente, é imperativo que nós, as empresas, consigamos reagir à crise climática, consumindo menos recursos. Como conciliar ambas as necessidades? Combinando três estratégias: sustentabilidade, digitalização e eletrificação.

A mobilidade elétrica, combinada com fontes de energia renováveis, será um dos eixos-chave deste caminho – e o setor dos edifícios pode ser um dos seus principais impulsionadores. Para conseguir conciliar então as duas necessidades, é imprescindível que haja um compromisso entre todos os envolvidos, incluindo as instituições públicas. Felizmente têm surgido cada vez mais iniciativas, públicas e privadas, focadas em impulsionar o veículo elétrico, contribuindo para eliminar alguns dos entraves que dificultam a sua adoção.

Desbloquear todo o potencial da transição energética

Em Portugal, acelerar a introdução da mobilidade elétrica implica ultrapassar muitos entraves, entre os quais os preços elevados, a pouca autonomia das baterias ou uma rede de carregamento insuficiente. Embora tenham sido feitos muitos investimentos nos últimos anos, os edifícios podem desempenhar um papel preponderante neste âmbito, contribuindo para expandir a rede de postos de carregamento de veículos elétricos.

O Governo português está a desenvolver diversas iniciativas no sentido de impulsionar a adoção da mobilidade elétrica e a instalação de postos de carregamento. Recentemente foi anunciado que, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, serão alocados mais de mil milhões de euros à mobilidade sustentável. O Governo tem também investido numa frota estatal de veículos elétricos e apoiado a compra individual por parte dos cidadãos e, no que diz respeito especificamente ao carregamento, na Resolução do Conselho de Ministros n.º 41/2020, de junho passado, foi definido o reforço da Rede Pública de Carregamento de veículos elétricos, no âmbito do Programa de Estabilização Económica e Social. Todas estas medidas vêm reforçar que a mobilidade elétrica é mesmo uma das nossas maiores apostas, a nível ambiental, até 2030.

Mais postos de carregamento em edifícios novos e existentes

O Governo pretende que todos edifícios privados que sejam construídos de raiz ou que estejam sujeitos a grandes renovações disponibilizem postos de carregamento para veículos elétricos em função da sua tipologia, localização e número de lugares disponíveis. Já em prédios destinados a outro tipo de utilização, como edifícios de comércio ou serviços, espera-se que aqueles que tenham mais de 20 lugares de estacionamento instalem dois postos de carregamento até 2024, segundo o Decreto-Lei n.º 101-D/2020, que estabelece os requisitos aplicáveis a edifícios para a melhoria do seu desempenho energético, em alinhamento com as diretivas da UE.

Os edifícios existentes também não ficam esquecidos: uma vez que a comercialização de eletricidade para mobilidade elétrica não está sujeita a uma licença de comercialização, qualquer proprietário ou ocupante de um edifício privado já existente pode instalar postos de carregamento, desde que cumpra determinadas diretrizes e requisitos de registo comercial. Em edifícios com maiores necessidades energéticas torna-se também obrigatória a instalação sistemas de automação e controlo para monitorizar o consumo de energia. Ficam isentos apenas locais de culto, instalações industriais, armazéns, e outros tipos de edifícios não residenciais.

Ao apostar na mobilidade elétrica, o setor dos edifícios poderá tornar-se um agente-chave na descarbonização da economia. Nesse sentido, a colaboração é essencial; e, felizmente, os profissionais do setor já contam com soluções integradas que abrangem toda a cadeia de valor das infraestruturas de carregamento, bem como com o acompanhamento dos fabricantes, que os ajudam a criar estratégias, a planear, a desenvolver o design, a instalar e a manter sistemas de carregamento seguros, eficientes e fidedignos. Aqui está, pois, mais um dos caminhos de futuro pelos quais todos, empresas e cidadãos, devemos apostar imediatamente.

  • Patrícia Pimenta
  • Vice-Presidente para a Ibéria - Home & Distribution, da Schneider Electric

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