Ego, o maior perigo de uma startup

  • Ricardo Parreira
  • 23 Novembro 2016

Milhares juntaram-se no Websummit para ver o que o futuro nos promete, mas não só. Muitos marcaram presença com outros objetivos em mente. Foi o caso das startups.

A extensa lista de startups que marcaram presença no evento tem um denominador comum: a expectativa de agarrar uma oportunidade única. Seja para ganhar visibilidade, trocar contactos ou captar a atenção daquele investidor que está disposto a colocar uma quantia generosa de dinheiro na “próxima Uber”.

O Web Summit é ótimo para tudo isto e também para praticar o pitch de vendas em modo intensivo. Mas, no meio desta corrida por atenção, muitas startups arriscaram perder a sua maior oportunidade: ouvir. O feedback que receberam é um ativo fundamental para o seu futuro. É o que as vai fazer aprender e sair mais fortes.

Enquanto CEO de uma empresa que começou como uma startup há 27 anos, fez-me confusão que houvesse quem ignorasse que, se não viesse ao “summit” para ouvir e aprender, não ia lá fazer nada. Era fundamental que as startups aproveitassem os inputs que iam recebendo durante os três dias. Deviam ir preparadas para aprender. Infelizmente, nem todas agarraram essa oportunidade.

Todo o hype à volta das startups está a criar uma bolha que traz consigo o maior perigo para o sucesso de uma grande ideia. E no Web Summit ouvimos diversas apresentações para este toque de realidade. Nem todas vão ter sucesso e nem todas têm uma grande ideia. Infelizmente, o hype cega o ego.

O ego, esse grande perigo para qualquer startup, vai impedir de ouvir. O ego destrói. E traz consigo a paixão que cega qualquer empreendedor: a paixão pelo seu produto. Quando uma startup se apaixona por ela mesma, ouve menos, está menos predisposta à mudança, cria barreiras ao seu crescimento. Leva-a à ruína. O ego inflacionado faz com que se arrisque a morrer mais cedo.

Mas como se contraria o perigo do ego? Aliando a confiança à humildade. Só assim se constrói a competência que permite crescer o negócio. Sabe-se que a maioria das startups falham – aparenta não existir unanimidade no número exato, com algumas pessoas a alegarem 50%, outras 90%, mesmo assim, é claro que a maioria falha. E muitas falham porque estão demasiado apaixonadas por si mesmas.

A humildade é uma virtude de qualquer startup. E, se há conselho que se lhes possa dar é: oiçam, porque a maior probabilidade é que não façam parte da minoria triunfante… ainda.

Ricardo Parreira é CEO da PHC Software.

  • Ricardo Parreira

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