Estratégia de gestão de risco na continuidade do negócio pós Covid-19

  • Lúcio Pereira da Silva
  • 27 Fevereiro 2022

Lúcio Pereira da Silva, Auditor em gestão de riscos industriais e sinistros na DefendeRisk, defende aposta em seguros paramétricos como uma das formas de prosseguir negócios no pós-pandemia.

Nas últimas décadas, doenças causadas por vírus como o H5N1 (gripe das aves), SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), H1N1 (gripe suína), Ébola e agora o COVID-19, destruíram financeiramente muitas empresas dos mais diversos setores como o do turismo, hotelaria, aviação, desporto, eventos, restauração, etc.

A proteção dos recursos das empresas, quer sejam humanos como materiais que contribuem para a continuidade de negócio, deve constituir uma prioridade dos seus responsáveis contra as perdas de exploração da atividade empresarial. Estes são muitas vezes avessos a contratualizar riscos que lhes parecem distantes, improváveis e de frequência reduzida, mas de consequências muito severas. As apólices específicas para garantir estes riscos devem ter o seu clausulado revisto de forma a garantir situações como a pandemia que vivemos atualmente.

O real impacto da pandemia ainda não se encontra completamente apurado e será traduzido numa enorme perda financeira, que poderia ser minimizada através da contratualização de uma apólice de perdas de exploração. No entanto, na generalidade destas apólices, mesmo nas denominadas “all risk”, encontram-se excluídos todos prejuízos desde que não se verifiquem danos materiais aos bens seguros, facto que não acontece com as epidemias e pandemias, fenómenos estes com um potencial de prejuízos muito elevados.

As soluções que existem neste momento no mercado segurador para a proteção destes riscos em tempo de pandemia são escassas e constituem um verdadeiro desafio para os seguradores, que terão de ser capazes de encontrar forma de responder com soluções perante esta nova realidade. Os seguros paramétricos poderão ser uma solução para proteger financeiramente as empresas que apresentem uma maior maturidade na gestão do risco, porque estes seguros são estruturados de forma a que o seu processo de contratação seja menos burocrático do que o de um seguro normal, para além de ser mais criterioso e eficaz.

Salienta-se ainda que o processo de contratualização deste tipo de seguro funciona de uma forma simples, os riscos a segurar são avaliados individualmente para cada organização, no qual esta pode contratar o seguro de acordo com a variável que melhor representa a sua atividade. No caso do setor agrícola, poderá ser a precipitação ou as temperaturas extremas; nas energias renováveis, nomeadamente, no caso das energias eólicas poderá ser o vento, ou o sol no caso das fotovoltaicas. Já no setor dos serviços, por exemplo, na hotelaria ou empresas de organização de eventos, o critério a ser considerado como parâmetro a definir neste caso de pandemia, poderá ser o número de infetados, o estado de emergência ou outro.

O apuramento dos índices mais adequados a cada setor de atividade, constituiria um garante para o segurado poder acionar a apólice a partir do momento em que esses índices fossem ultrapassados ou não atingidos.

Neste momento, a quase totalidade das apólices de perdas de exploração contratadas pelas empresas que garantem as respetivas perdas, só podem acionadas com a ocorrência de um dano material, uma vez que a interrupção do negócio que resulta desta pandemia não é normalmente um risco coberto. Além de que a pandemia e o estado de emergência é uma exclusão da cobertura mesmo que essa garanta surto de doença.

As principais vantagens dos seguros paramétricos para as organizações estão relacionadas com a maior celeridade dos pagamentos, a menor existência de restrições e exclusões, os pagamentos são realizados independentemente de o segurado ter sofrido danos e perdas ou não, e as indemnizações estão sempre garantidas se os critérios considerados se verificarem.

Esta solução poderia dar uma resposta imediata à falta de liquidez das empresas, porque num curto prazo estas seriam indemnizadas. Este facto constitui a maior vantagem que os seguros paramétricos têm para oferecer aos seus clientes, porque não existe a obrigatoriedade de aguardar pela conclusão da peritagem, que poderá demorar meses ou anos.

Por outro lado, é exatamente no pagamento da indemnização que está a grande vantagem em tempo e ausência de litígios, quando comparada com uma apólice tradicional, pois sabemos que um sinistro complexo pode demorar muitos meses a regularizar. Os Seguros paramétricos também são uma boa solução para os seguradores, ao reduzir os custos com a peritagem na regularização dos sinistros.

Acredita-se que todas as empresas terão no período pós-covid-19 uma visão completamente diferente quanto à proteção patrimonial e à gestão de risco, incluindo o sistémico, associada aos seguros necessários contratar para garantir a continuidade do seu negócio.

A pandemia da Covid-19 poderá constituir-se como um novo ânimo para os seguros paramétricos, uma solução para o setor segurador responder a eventos catastróficos adaptando-se aos novos riscos.

  • Lúcio Pereira da Silva
  • Auditor em Gestão de riscos industriais e sinistros na DefendeRisk

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