Global Private Equity Responsible Investment Survey 2021: do compliance à criação de valor

As questões ambientais, sociais e de Governance (ESG) constituem um eixo essencial na estratégia de investimento e estão integradas nos processos de gestão.

No estudo da PwC recentemente publicado “Global Private Equity Responsible Investment Survey 2021”, analisamos a perspetiva de 209 investidores, de 35 países, relativamente ao investimento responsável. Realizado a cada 2 anos, desde 2013, este estudo permite-nos compreender a evolução da relevância dos temas ESG para o setor de Private Equity (PE).

A grande conclusão é que, se há alguns anos, as questões ambientais, sociais e de Governance (ESG) constituíam meramente uma área de compliance para fundos de Private Equity, atualmente constituem um eixo essencial na estratégia de investimento e estão integradas nos processos de gestão, nas várias fases do ciclo de investimento. Destacamos 6 resultados principais:

  1. O investimento responsável está a ficar “maduro”

    65% dos PE já dispõe de uma política de investimento responsável ou ESG e 72% analisa sempre os seus targets relativamente a riscos e oportunidades ESG, previamente ao investimento. 56% das empresas já recusou estabelecer um acordo ou realizar um investimento por motivos ESG. 56% afirma que a sua equipa de investimento recebe formação sobre questões ESG.

  2. Os temas ESG são analisados ao nível do board

    56% das PE discutem questões ESG em reuniões do conselho de administração mais do que uma vez por ano, sendo que 15% debatem estas matérias em todas as reuniões.

  3. As empresas estão a adotar os ODS como framework

    38% das PE identificam e priorizam os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) relevantes ao nível do portfólio, 32% ao nível da entidade e 26% ao nível dos fundos, com 26% das empresas a definirem KPI’s alinhados com os ODS.

  4. A criação de valor é o principal driver para o investimento responsável

    Em 2019, o principal fator impulsionador da atividade ESG era a gestão de riscos, mas em 2021 este fator surge na 4ª posição, sendo o fator mais relevante a criação de valor, selecionado por 66% das empresas. Esta evolução revela que as empresas começam a reconhecer os ESG como uma oportunidade de negócio

  5. Há um foco crescente no impacto

    Os PE empresas reconhecem que os investidores valorizam fundos que geram impacto ambiental e social positivos. 17% das PE referem que já possuem ou planeiam ter, no próximo ano, fundos dedicados a impacto e 45% referem que, apesar de não terem fundos de investimento de impacto, já estão a avaliar e gerir o impacto e/ou a selecionar oportunidades de investimento com impactos positivos.

  6. Há um gap entre o nível de preocupação e o nível de ação

    Os temas em que há um gap maior são as tecnologias emergentes, o futuro do trabalho e a automação e o net zero/risco climático. 72% dos PE elegem o tema do Net zero como uma preocupação, mas apenas 21% refere já estar a atuar nessa área.

Para os PE que ainda não têm uma abordagem estruturada aos temas ESG, e tendo em conta estas temáticas vão ser determinantes na economia global num futuro próximo e como tal, irão afetar o sucesso dos investimentos de PE, é absolutamente crucial que as empresas incorporem estas questões nas suas estratégias. Quer relativamente a questões globais, como o risco climático, o net zero, a diversidade e as tecnologias emergentes, quer questões específicas relacionadas com cada empresa/setor. A identificação destes riscos e oportunidades inerentes será determinante para a definição de uma estratégia que garanta criação de valor sustentável.

Face a esta conjuntura, é essencial que os PE disponham de recursos especializados que lhes permitam a adaptação a esta nova realidade. Depois de definida a estratégia de investimento responsável, os PE deverão assegurar a disponibilidade de profissionais com as competências adequadas. Seja através de formação, ou através de captação de novos recursos com experiência na área, uma equipa capaz e diversa é fundamental para capitalizar as oportunidades de criação de valor associados aos temas ESG.

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