Ideias empreendedoras florescem em períodos de crise

  • Vânia Alves
  • 9 Outubro 2020

O caminho a seguir passa não só pela construção de novos modelos de negócio mais empreendedores, mas também por projetos que apoiem o país na transição energética.

Em junho de 2020 a taxa de desemprego fixou-se nos 7%. Em comparação com fevereiro, cerca de 180 mil empregos foram destruídos. Estes dados, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), demonstram a repercussão que a pandemia está a ter em Portugal. Empresas de todos os setores de atividade estão a fechar portas como consequência da atual situação sanitária e Portugal vai ter de apostar muito rapidamente na implantação de uma sociedade empreendedora para dar resposta a esta crise.

Mas há sempre o outro lado da moeda. Tempos desafiantes conduzem-nos a projetos e inovações sociais particularmente interessantes e o timing de uma ideia é fundamental para o sucesso da mesma. Grandes empresas como o Airbnb, a Uber ou o Youtube nasceram no seio de uma crise e hoje têm um enorme sucesso, pois os consumidores estavam preparados para o que estas tinham para oferecer. Muitas start-ups têm, então, surgido de uma enorme vontade individual e coletiva em implementar negócios que geram valor na vida das pessoas, revelando-se premente a união de esforços e a aposta em temas que ganharam destaque com a pandemia, como é o caso da sustentabilidade.

Neste contexto, verificamos que a Covid-19 impactou não apenas os modelos de negócio, mas também a forma como vemos o mundo e nos relacionamos com o ambiente. O secretário-geral da ONU defendeu que a recuperação da crise provocada pela pandemia deve passar por uma transição para as energias limpas. Nesta declaração, António Guterres incentivou ao investimento em energias renováveis, transportes sustentáveis e eficiência energética. Medidas estas que podem contribuir para a criação de cerca de 9 milhões de empregos anuais ao longo dos próximos cinco anos, permitindo também levar energia elétrica a 270 milhões de pessoas em todo o mundo.

Estou certa que o caminho a seguir passa não só pela construção de novos modelos de negócio mais empreendedores, mas também por projetos que apoiem o país na transição energética, pelo que é neste contexto de descarbonização que assenta o nosso projeto. O nosso principal objetivo é democratizar a mobilidade elétrica em Portugal, incentivando cada consumidor a ser socialmente responsável. Por forma a alcançarmos este imperativo da própria sociedade, pretendemos disponibilizar o acesso a uma rede de postos de carregamento de veículos elétricos com uma rede tecnologicamente avançada, a preços acessíveis, estimulando a mobilidade elétrica em Portugal. Queremos colmatar uma das principais carências do país: a falta de postos de carregamento elétricos para uso público.

A questão que se coloca é a seguinte: o timing da ideia é adequado? Embora estejamos a viver um período sem precedentes, não nos podemos esquecer dos problemas que se vêm intensificado antes da pandemia. É importante não esquecer de que estes terão tendência a fortalecer-se e vão continuar a precisar muito do esforço de todos, por forma a criarmos soluções inovadoras e, efetivamente, diferenciadoras.

Por outro lado, será ousado implementar um projeto tão ambicioso numa altura de crise? Acredito que sim. O planeta continua a sofrer e esta pandemia veio demonstrar que quando desacelerarmos, o ambiente recompensa-nos e coisas maravilhosas acontecem. Quando deixamos de consumir recursos naturais, quando os veículos abrandaram a circulação, o mundo floresce, o ar fica mais limpo e há mais espaço para a vida selvagem e para as águas cristalinas. E porque o futuro não pode parar, sob pena de não haver futuro, estas questões não deverão ser ignoradas.

Acredito que é necessário existirem ideias que estimulem mudanças de comportamento para uma sociedade que está, acima de tudo, preparada para estas renovações. O futuro é incerto, no entanto, os consumidores estão prontos para projetos e ideias que floresçam da sustentabilidade. Por isso, o caminho que devemos traçar passa pela construção de um futuro melhor para todos, mais verde e amigo do planeta.

  • Vânia Alves
  • Responsável pelo Projeto Green Charge

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