Lideranças despudoradamente abusadoras

  • Eduardo Baptista Correia
  • 20 Agosto 2019

É urgente que surjam novos modos de estar na política, por via dos bons exemplos e dos novos líderes que possam construir o que tem tardado.

Entendo e analiso o comportamento das pessoas em face de um princípio simples; muito mais relevante que as palavras, são as ações que cada um pratica. Este fundamento é aplicável num conjunto vastíssimo de situações; deve, contudo, por maioria de razão, estar constantemente presente na forma como analisamos e avaliamos as lideranças políticas. Pessoalmente, acredito no modelo do exemplo. Líderes que transformam causas fortes em ações, são os que marcam a história e fornecem um contributo à evolução da humanidade. Apenas as ações contam, e as palavras servem apenas para dar corpo e de algum modo inspirar essas ações. São os discursos reproduzidos em realidades as bases da inspiração para as gerações seguintes. Tudo o resto fica no caminho da história como impostura ou trapalhice.

A atualidade política portuguesa é bem demonstrativa dessa impostura e trapalhice. Se, por um lado, temos o Partido Socialista que se tem encarregue de fornecer à sociedade portuguesa um conjunto alargado de maus exemplos no que à descarada má gestão de fundos e interesses públicos diz respeito – a lista de casos cresce diariamente e é bem demonstrativa do mau exemplo que primeiro-ministro, ministros, secretários de Estado e autarcas do PS fornecem na forma como beneficiam através da sua capacidade de influência e decisão interesses que em nada beneficiam a adequada gestão da causa social e desenvolvimento do país –, pelo outro lado temos no PSD a demonstração da total incapacidade em fazer oposição.

A atual direção do PSD não apresenta nem propostas nem suficiente indignação face à forma abusadora como o Partido Socialista trata o aparelho e fundos públicos. Tenho a sensação de estarmos perante a pior e mais fraca oposição de que me lembro. Perante o que se passa no país, seria, em tese, relativamente simples ganhar ao Partido Socialista.

Ao invés aquilo que este PSD prepara é uma das mais significativas derrotas da sua história, num momento onde, em tese, teria todas as condições conjunturais para as ganhar. Qual a explicação para uma trapalhada desta dimensão? A explicação é simples. Uma liderança cinzenta, sem rumo, sem ideias, sem energia, que vê o que mais ninguém vê e que nas poucas ações a que assistimos, se encarrega de fazer exatamente o contrário das poucas coisas que diz. A não inclusão de vários nomes propostos pelas distritais, dos quais evidentemente destaco, pelo mérito das suas ações enquanto profissional e autarca, o atual vice-presidente da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz, demonstra que a atual direção do PSD atua, no seu pequeno mundo, de forma tão abusadora quanto o PS. O poder deve ser usado com gentileza e respeito pelos outros; caso contrário é prepotência ditatorial.

Percebemos que estamos perante um grupo muito vasto de abusadores, cujo contágio atingiu também o Bloco de Esquerda e PCP. Por outro lado na oposição, o cinzentismo e desnorte contaminou também o CDS que com disparos tontos e avulsos vai gradualmente perdendo a credibilidade. Fica o campo aberto para populismos simplistas e vazios de conteúdo.

É urgente que surjam novos modos de estar na política, por via dos bons exemplos e dos novos líderes que possam construir o que tem tardado; uma sociedade portuguesa menos burocrática, mais equilibrada, mais inclusiva, mais rica, mais meritocrática. Os Portugueses se devidamente enquadrados, e com bons exemplos na liderança, são capazes de coisas extraordinárias.

  • Eduardo Baptista Correia
  • Gestor e Professor na Escola de Gestão do ISCTE-IUL

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