O Futuro do Mercado de Capitais é Sustentável

  • Rodrigo Tavares
  • 21 Fevereiro 2020

Ao lançar a primeira cadeira em Sustainable Finance no país, a Nova SBE consolida a sua vocação para formar gestores, economistas ou profissionais do mercado financeiro que gerem impacto positivo.

Aconteceu novamente este fim de semana. Quando me perguntam que disciplina leciono na Nova School of Business and Economics (Nova SBE) a minha resposta gera quase sempre um discreto sorriso de surpresa.

Sustainable Finance representa uma revolução silenciosa no mercado de capitais. É este o nome da cadeira. Pode ser definida como uma estratégia de investimentos que toma em consideração dados ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) como críticos para avaliar o perfil de risco e retorno de um ativo financeiro. Através de metodologias de cálculo financeiro e de relações correlacionais, é possível encontrar sinergias entre as necessidades do mercado, do meio ambiente e da sociedade para investir com geração de valor para todos os envolvidos.

É por isso que algumas pessoas reagem com surpresa.

Não é uma questão filosófica ou moralista. Qualquer investidor gostaria de ter acesso ao maior volume de dados possíveis para tomar decisões racionais sobre onde, como e quanto investir. E informações ESG impactam diretamente sobre o perfil de risco e de retorno dos ativos. Empresas com problemas laborais ou de segurança no trabalho, com conselhos de administração sem mulheres, ou que geram impactos ambientais negativos para as comunidades onde operam são estatisticamente empresas menos lucrativas e com maior risco. Cerca de uma centena de estudos académicos demonstra que investimentos sustentáveis são investimentos com melhor performance financeira. É isto que tem encorajado reguladores, investidores, clientes e gestores a acelerarem o passo.

Qualquer que seja o prisma com que olhemos para o mercado global das finanças sustentáveis, notamos o seu crescimento exponencial. Volume de ativos geridos com lentes ESG? 31 biliões de dólares (o que corresponde a 36% do mercado financeiro) e a crescer 17% ao ano. Percentagem de gestores de fundos que adotaram esta metodologia? 78% globalmente. E investidores institucionais? 89% já fazem investimentos sustentáveis. Número de notícias de imprensa sobre este tema? São dezenas por dia, comparadas com dezenas por ano, há escassos 5 anos.

Os anúncios de novos produtos, estratégias e políticas em finanças sustentáveis, realizadas pelos principais players financeiros globais (State Street, CalPERS, Blackrock, Goldman Sachs, entre centenas de outros) são feitos diariamente.

E Portugal? Um evento realizado no fim de Janeiro na sociedade de advogados Vieira de Almeida sobre este tema é indicativo. Foi um verdadeiro sucesso de público. Mas o debate também revelou que o nosso país não está no pelotão da frente do mercado global das finanças sustentáveis. É necessário um maior envolvimento dos reguladores e da bolsa (CMVM, Banco de Portugal, Euronext Lisbon) para garantir que a gestão de ativos financeiros no país tenha, necessariamente, que incluir informações ESG (como já fazem a maioria dos países europeus).

É também inevitável que a banca e os gestores de fundos apresentem mais produtos com uma marca ESG. A ementa de escolhas em Portugal é das mais pequenas entre os países desenvolvidos. E falta que as maiores empresas portuguesas iniciem ou acelerem a sua jornada da sustentabilidade, transformando-se em corporações mais responsáveis, éticas, sustentáveis e competitivas.

Ao lançar a primeira cadeira em Sustainable Finance no país, que atingiu o número máximo de alunos inscritos, a Nova SBE consolida a sua vocação para formar gestores, economistas ou profissionais do mercado financeiro que possam gerar impacto positivo nos mercados onde vierem a operar. Em até uma década, todos os investimentos em todas as classes de ativos incorporarão análise de riscos ambientais, sociais e de governança.

  • Rodrigo Tavares
  • Fundador e presidente do Granito Group e Professor na Nova SBE

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