O preço da eletricidade, as renováveis e o emprego

  • Pedro Amaral Jorge
  • 17 Setembro 2021

A aposta nas renováveis representa, por isso um ganho em três frentes. Não terá apenas impacto no preço da eletricidade e no ambiente.

O preço da eletricidade no mercado ibérico grossista continua a atingir máximos históricos neste mês de setembro. Esta tendência espelha o aumento do custo do gás natural no mercado internacional e os preços recorde das licenças de emissão de dióxido de carbono.

É também a prova de que as fontes renováveis ainda não conseguem suprir a totalidade da procura pelo que é preciso reforçar a energia verde na matriz elétrica de potência e energia para fazer baixar os preços da eletricidade no mercado grossista com impactos diretos na fatura ao consumidor.

Esta aposta no reforço da capacidade (potência) renovável, que é necessária para cumprir os objetivos assumidos, nomeadamente o que está definido no Plano Nacional de Energia e Clima, terá um reflexo muito positivo no emprego numa altura crucial para a economia.

O estudo sobre o “Impacto da Eletricidade de Origem Renovável”, uma análise da consultora Deloitte desenvolvida para a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), revela que, em 2020, o setor de produção de eletricidade renovável empregava 51 mil pessoas.

Entre 2020 e 2030, com a concretização das estimativas de capacidade adicional, as fontes de origem renovável deverão gerar um adicional de mais de 90 mil empregos, chegando aos cerca de 160 mil postos de trabalho em 2030.

Uma maior ambição climática, a par com a introdução do Hidrogénio verde, poderá ainda adicionar entre 24 a 83 mil empregos a estas estimativas para 2030.

Em linha com estes resultados, estima-se que, em média, a contribuição anual para a Segurança Social seja superior a mil milhões de euros, em 2020, e atinja os 1.600 milhões de euros em 2030. Adicionalmente, entre 2020 e 2030, o setor poderá alavancar 10 mil milhões de euros de contribuições acumuladas para o IRS.

A aposta nas renováveis representa, por isso um ganho em três frentes. Não terá apenas impacto no preço da eletricidade e no ambiente. É uma oportunidade para fazer crescer o emprego no pós-pandemia, contribuindo para o aumento da receita fiscal, redução do défice e redução da dívida pública.

Perspetiva-se que entre 2020 e 2030 o investimento privado em centros eletroprodutores de fontes de energia renováveis ascenda a 15 mil milhões de euros. Além disso os investimentos associados ao Hidrogénio Verde e aumento da ambição climática poderão representar um acréscimo de até 26 mil milhões de euros até 2030 catapultando a criação de postos de trabalho como a economia exige no pós-pandemia.

  • Pedro Amaral Jorge
  • Presidente da APREN

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