O que tem a Barbie a ver com a sua reforma?

Os portugueses não têm por hábito preparar a sua reforma e isso pode sair-lhes caro quando os anos dourados estiverem a baterem-lhes à porta, como acontece com a boneca mais famosa do planeta.

A Barbie acaba de fazer 64 anos. Quer dizer que a boneca mais famosa do mundo, que desde 21 de julho é também um sucesso de bilheteira nas salas de cinema, se tivesse nascido em Portugal estaria a escassos dois anos de pedir a reforma.

A contar com o sucesso de vendas de bonecas por todo o mundo ao longo deste tempo e, sobretudo, por conta das mais de 200 profissões que acumulou desde que, em março de 1959, surgiu pela primeira vez pela mão da Mattel (muitas delas muito bem pagas), não seria complicado almejar uma pensão de reforma bem choruda quando os “anos dourados” chegarem em 2025.

Porém, se a Barbie fez devidamente os trabalhos de casa, soube, desde muito cedo, que não deveria depender a sua reforma só do Estado, e que deveria começar a construir um complemento de reforma o mais cedo possível, para que o fim da vida laboral não se tornasse num período de tensão gerado por conflitos financeiros a toda a hora. Se seguiu este caminho, a boneca criada por Ruth Handler distanciou-se da maioria dos portugueses que continua a pensar pouco na sua reforma.

Segundo o último Inquérito à Literacia Financeira dos portugueses, realizado pelo Banco de Portugal e publicado em junho de 2021, menos de um quarto dos inquiridos refere que poupa para a reforma. Mais de 84% dos entrevistados deposita o seu futuro exclusivamente nas mãos do Estado, afirmando que irá financiar a sua reforma através dos descontos para a Segurança Social ou outro regime contributivo obrigatório.

A má notícia é que o valor das reformas pagas pelo Estado vai cair para quase metade nos próximos anos, passando do equivalente a 84,9% do último vencimento em 2025 para 43,5% em 2050, segundo as últimas projeções da Comissão Europeia, expressas no relatório “The 2021 Ageing Report”. É um corte brutal no rendimento dos portugueses.

Mas não tem de ser assim. Para o ajudar a viver e a gozar os “anos dourados” como bem merece, tome nota destes exemplos de alocação de ativos para quatro perfis de investidor — há até um portefólio orientado para pré-reformados como a Barbie e para aqueles que já se afastaram da vida ativa.

Jovens até aos 35 anos
Hora de arriscar

Os jovens têm do seu lado o maior aliado dos investidores: o tempo. Quanto maior o horizonte temporal de um investimento, mais ambiciosas poderão ser as metas definidas porque, à medida que o tempo vai passando, o risco dos ativos que compõem a carteira acaba por ser diluído e as menos-valias que possam ocorrer momentaneamente acabam igualmente por ser corrigidas. Por isso, o portefólio de um jovem deve ser rico em ações. Contudo, é preciso ter em atenção ao peso das comissões nas ordens de compra e venda para que os custos de negociação não “comam” grande parte dos potenciais ganhos. Para evitar essa preocupação, pode optar por ganhar exposição ao mercado acionista através de um fundo de investimento de ações global como o Fidelity MSCI World Index EUR, que procura replicar o índice de ações mundial MSCI World, e construir a parte obrigacionista da carteira com o fundo de obrigações soberanas NB Euro Bond, que tem conseguido bater consecutivamente os seus pares sem que isso se tenha traduzido numa volatilidade superior.

Casais entre os 35 e os 45 anos
Solidez nas fundações

Numa fase da vida em que as despesas fixas consomem grande parte do rendimento disponível da família, é importante saber gerir com todo o cuidado os investimentos familiares. Nesse sentido, é importante que a base da carteira seja a criação de um fundo de maneio nunca inferior a 8 vezes o valor das despesas fixas do agregado familiar, que poderá ficar a render em Certificados de Aforro ou depósitos a prazo de curto prazo. As ações são também um ponto de referência nesta carteira, que continuarão a ser o ativo que mais alavancará os ganhos. Para os menos avessos ao risco, a opção poderá recair para um fundo mais arriscado, como o Morgan Stanley Global Opportunity Fund A, que nos últimos 10 anos alcançou ganhos médios anuais acima dos 15%, cerca de três vezes a média dos seus pares.

Adultos entre os 45 e os 65 anos
Garantir uma reforma tranquila

Numa estratégia de investimento, um plano de reforços periódicos desempenha um papel fulcral, pois permite amenizar perdas, mas, principalmente, gerar disciplina de poupança. É isso que se pretende nesta fase da vida, em que “os anos dourados” já se vêm ao longe. Nesta carteira, os Certificados de Aforro podem ter um papel de destaque. De acordo com cálculos do ECO, a atual série (Série F) está a remunerar os investidores a uma taxa líquida anual, média, de 2,37% a 15 anos ou 2,0% a 10 anos. É certo que fica muito abaixo da rendibilidade oferecida pelos Certificados de Aforro da anterior série, mas revela-se numa aposta segura e rentável para quem chegará aos 65 anos na próxima década.

 

Seniores com mais de 65 anos
Gozar a vida como merece

Segundo as estimativas do Instituto Nacional de Estatística, os portugueses que cheguem aos 65 anos, podem contar viver, em média, mais 19,3 anos, isto é, até aos 84 anos. Significa que, apesar de nesta fase da vida o descanso ser uma prioridade, a gestão financeira não pode ser descurada. Por isso, está fora de questão resgatar todas as poupanças e viver somente dos rendimentos gerados no passado. A solução passa por moldar a alocação do portefólio para conter uma forte exposição a títulos de baixo risco, como são os Certificados de Aforro, os Certificados do Tesouro e títulos de dívida de curto prazo. As ações deverão continuar a marcar presença no portefólio com o intuito de gerar um “rendimento extra”, mas sem que isso prejudique em demasia o bem-estar durante os “anos dourados”.

Nota: As alocações das carteiras apresentadas servem apenas como exemplo, devendo serem moldadas consoante o perfil de risco dos investidores. Texto incluído na edição de 31 de julho do Portefólio Perfeito, a newsletter de finanças pessoais do ECO, que pode subscrever através deste link.

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