O trabalho é um lugar estranho

  • Mariana de Araújo Barbosa
  • 27 Janeiro 2021

Longe do escritório, o trabalho desmaterializou-se: deixou de ser um lugar e passou a ser um estado. E, para muitos, condição quase permanente.

Imagine-se um mapa mundo sem fronteiras: países todos juntos num planeta onde apenas a geografia e o clima distinguem localizações, viagens sem necessidade de passaporte e de autorizações.

O trabalho em 2020 foi assim: um mapa sem fronteiras. Em casa, reinventámos o espaço onde trabalhamos e, claro, o espaço onde vivemos. A cozinha fez-se copa onde cozinhamos refeições para todo o dia. As marmitas desapareceram num movimento inesperado de transformação. Os horários flexibilizaram-se, assim como as tarefas e as dinâmicas de equipa. A rotina reinventou-se com mais calma mas, muitas vezes, com menos tempo. Acordamos e transferimo-nos diretos para a cadeira na sala, de onde só saímos ao final do dia? Despertamos com o som de um email recém-chegado e, enquanto o lemos, aproveitamos para preparar e tomar o café à janela ou na varanda?

O trabalho, já tantas vezes pouco separado da nossa vida pessoal, entrou de rompante na nossa casa, espaço de recolhimento, lazer, descanso, família. Aquilo que já acontecia – a necessidade de desligar dos emails e dos telefonemas que teimavam em poucas vezes abrandar durante os dias – foi acentuado com a pandemia. A (nova) rotina tornou-se hábito e, por isso, também traz mais desafios para gerir as vidas pessoal e profissional. Ao desafio de uma maior conciliação entre o trabalho e a vida pessoal, a maioria dos trabalhadores quer que as suas carreiras continuem num modelo de trabalho misto que inclua o remoto e o presencial (estudos apontam para dois a três dias por semana a trabalhar fora do escritório). O último ano mostrou que o trabalho, tal como o conhecíamos, pode ter mudado para sempre.

À distância, quem gere pessoas deve estar mais próximo e conseguir ouvir as necessidades de cada um dos colaboradores, para ter trabalhadores motivados, manter a cultura da organização e o sucesso da empresa. O desafio é deles, e de todos nós.

  • Mariana de Araújo Barbosa

Apoie o jornalismo económico independente. Contribua

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso. O acesso às notícias do ECO é (ainda) livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo rigoroso e credível, mas não só. É continuar a informar apesar do confinamento, é continuar a escrutinar as decisões políticas quando tudo parece descontrolado.

Introduza um valor

Valor mínimo 5€. Após confirmação será gerada uma referência Multibanco.

Comentários ({{ total }})

O trabalho é um lugar estranho

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião