Calamidade Emocional

  • Mónica Marques
  • 18 Outubro 2020

Conseguir finalmente revalidar a carta de condução em meio a uma pandemia e não ter de esperar seis meses, faz ter fé na humanidade.

O Papa Francisco citou Vinicius de Moraes na Encíclica Fratelli Tutti, o “Samba da Benção”, – o que pensaria o Poetinha desta cena das máscaras? -, aquela música que começa com “é melhor ser alegre que ser triste” e depois vai por aí fora iluminando os corações escuros de pessoas tristes como a Louise Gluck, poeta Prémio Nobel da Literatura 2020, que o The New York Times descreveu como sendo, the poet of a fallen world.

E em Portugal, ao que tudo indica, só era lida pelo José Luís Peixoto que, um minuto depois do anúncio feito, apareceu no FB, de livro na mão, a dizer – ser merecidíssimo. E atual, acrescentaria, se fosse uma pessoa muito dada aos prazeres da masturbação intelectual. Porque ela realmente só escreve sobre rejeição, perda e isolamento e outros desapontamentos nobres e menos nobres que, em certas alturas da vida, atraem por conter aquele tipo de alienação esteticamente interessante a nós, chorões – a propósito, ver a exposição do André Cepeda, Ballad of Today, no MAAT.

Praticidades. Conseguir finalmente revalidar a carta de condução em meio a uma pandemia e não ter de esperar seis meses, faz ter fé na humanidade, apesar da profunda divisão mundial e da incapacidade de milhares de pessoas em reconhecer o que é antidemocrático, autoritário, racista, ou que a app StayAwayCovid não faz mal a ninguém.

Nos dias que correm, estar preocupada com o facto de ter de revalidar a carta de condução, pode ser sinal de uma perigosa dissociação da realidade. A mesma que nos leva, de março para agora, da primeira para a segunda onda, a diminuir a porcaria das medidas de prevenção à procura de abraços e estabilidade emocional.

Comportamento errático igualzinho ao daqueles apoiantes do Trump, do BoZo e do Coiso, cujo maior traço de personalidade é o do desprezo pelos outros, pelas minorias, pela ciência e pelo chocolate. A verdade e os factos não importam nada. E também assinei aquela petição que circulou na internet, para esconder do Trump, nos corredores do Ikea de Alfragide, o enfermeiro português que tratou o Boris Johnson.

  • Mónica Marques

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