Portugal precisa de Alimentar a Sustentabilidade

  • Pedro Azevedo Henriques
  • 24 Novembro 2020

É fundamental assegurar, cada vez mais, o respeito pelo planeta, apostando definitivamente num modelo sustentável, ao longo de toda a cadeia alimentar, de valorização do ambiente e da natureza.

Portugal é um país reconhecido pela sua excelente gastronomia. Como produzimos, transformamos e consumimos esses produtos representa, em certa medida, algumas das nossas maiores tradições e prazeres da sociedade portuguesa. A fileira agroalimentar é, pois, parte indelével desse património, colocando nas nossas mesas produtos seguros, diferenciados e de excecional qualidade.

Acresce ainda que o setor agroalimentar, em particular as indústrias alimentares e de bebidas, desempenham também no nosso país um relevante papel na economia. Segundo os últimos dados estatísticos do INE, o setor ultrapassou os 17 mil milhões de Euros de volume de negócios, destacando-se como sendo a principal atividade da produção industrial nacional, e um dos setores de bens transacionáveis que mais contribui para o Valor Acrescentado Bruto nacional. A par disso, a dinâmica exportadora do setor, com especial destaque pela performance verificada na última década, com um crescimento superior a 54%, também contribuiu para o crescimento da economia portuguesa. Não menos relevante, o setor é também um importante gerador de emprego, desempenhando um importante papel social para milhares de famílias.

E, a propósito de crescimento, de acordo com as projeções das Nações Unidas espera-se que a população mundial se aproxime dos 10 mil milhões de habitantes em 2050. Os dados dos dois últimos séculos evidenciam que a população mundial está a expandir-se rapidamente e a tornar-se cada vez mais próspera. Se pensarmos que há pouco mais de 200 anos, o que não é nada face à história da humanidade, habitavam no planeta cerca de mil milhões de pessoas e que foram necessários 125 anos para se chegar aos 2 mil milhões, e que, hoje, para se verificar esse mesmo crescimento já só são precisos somente 10 anos, é fácil perceber e entender as implicações e o impacto que este crescimento exponencial da população tem tido e terá, ainda mais no futuro, no mundo e no setor alimentar, em particular. A Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), no início da década, alertava que para fazer face a este crescimento, a produção alimentar global terá de aumentar cerca de 70%!

Esta prosperidade, vitalidade e crescimento incessante tem um reverso da moeda. É, pois, de esperar que o crescimento populacional nos coloque um dos maiores desafios da alimentação, e que ditará uma profunda alteração do nosso atual sistema alimentar, nomeadamente no que produzimos, como produzimos e no que iremos comer.

Todo este contexto irá agravar e provocar uma procura mais significativa sobre os recursos do planeta, em especial sobre a energia, a água e os alimentos, e, por conseguinte, uma crescente pressão aos recursos do planeta e ao seu capital natural. A agricultura, o setor da pesca e as indústrias alimentares e de bebidas têm uma responsabilidade, ainda mais acrescida, porque dependem fortemente da natureza, dos oceanos, enfim dos recursos naturais do planeta.

A degradação e perda de sistemas naturais terão seguramente efeitos nefastos a estes setores.

Acredito por isso que, atualmente, é fundamental assegurar, cada vez mais, o respeito pelo planeta, apostando definitivamente num modelo sustentável, ao longo de toda a cadeia alimentar, de valorização do ambiente e da natureza – pelos bens naturais e serviços essenciais que este nos proporciona.

Alimentar a Sustentabilidade é, pois, um ingrediente fundamental para o futuro da fileira agroalimentar, alimentação e da humanidade.

  • Pedro Azevedo Henriques
  • Diretor de Sustentabilidade da Frulact

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