Propósito vs pressão: um desafio para todo o ano

  • Rui Guedes
  • 7 Janeiro 2026

Compete aos líderes mobilizar as pessoas para um novo ano gerido com lucidez e equilíbrio. Só assim se tomam boas decisões.

É inevitável: o princípio de mais um ciclo anual traz consigo o peso natural da definição de novos objetivos, do assumir de compromissos adicionais e de gerir expectativas ao longo dos vários meses seguintes. E se há algo que a experiência do trabalho nas empresas nos ensina é que quem não pratica gestão desde a hora zero, mais adiante vai socorrer-se da pressão – pressão essa que, sendo mal direcionada, desgasta as pessoas, distorce prioridades e cria um desproporcionado ambiente de urgência que prejudica mais do que ajuda.

Compete aos líderes mobilizar as pessoas para um novo ano gerido com lucidez e equilíbrio. Só assim se tomam boas decisões, se mantém clareza no rumo e preserva a energia certa para chegar à “meta” com resultados e sentido de pertença. Torna-se, assim, muito importante usar esta fase para confirmar que os objetivos individuais estão verdadeiramente alinhados com a estratégia da empresa. Quando cada elemento percebe o papel que desempenha no todo e entende de que forma o seu objetivo contribui para algo maior, trabalha de forma mais consciente e estimulada. Sem isto, rapidamente a ambição reforçada pelo novo ano se transforma em frustração.

A visibilidade contínua sobre o ponto da situação é outra prática crítica. As equipas não devem ser surpreendidas por números revelados apenas no final de cada trimestre ou semestre. Dar visibilidade, atualizar com transparência e envolver as pessoas na leitura dos dados é, ao mesmo tempo, uma forma de respeito e uma ferramenta de gestão. E, sim, é igualmente essencial celebrar o passo a passo, já que cada marco atingido reforça a confiança, cria dinâmica e mostra que o progresso é real, mesmo quando ainda há caminho a percorrer.

Em momentos de maior pressão, a liderança deve ter especial sensibilidade para reconhecer feitos extraordinários – não apenas os grandes números, mas esforços individuais, atitudes de entreajuda, iniciativas inspiradoras. O reconhecimento sincero não é um detalhe: é um combustível emocional que leva as pessoas mais longe e amplifica qualquer pacote de incentivos ou prémio de vendas.

Além do contributo de cada um, importa também lembrar que o espírito de equipa é mais do que uma frase “motivacional”; é uma condição absoluta para o sucesso. Do marketing ao apoio ao cliente, das vendas à produção, todas as áreas contribuem para a entrega final. E quando cada colaborador sente que faz parte de algo maior, a colaboração torna-se natural e o desempenho melhora de forma consistente.

Há ainda um compromisso que considero irrenunciável: o da liderança em partilhar propósito. As Equipas não precisam apenas de tarefas e desígnios a pairar nos seus calendários – precisam de contexto, de entender o impacto do seu trabalho, a razão pela qual cada esforço conta para o caminho que a empresa está a construir. Quando existe um propósito partilhado, surge coesão; quando há coesão, surge entreajuda; e quando há coesão, surge entreajuda; e quando há entreajuda, a performance deixa de ser um ato isolado para se tornar um movimento coletivo.

O início do ano traz exigências, é certo, mas também traz oportunidades únicas de reforçar a cultura, alinhar prioridades e consolidar Equipas. Compete-nos, enquanto líderes, fazer da pressão necessária um processo de gestão, desse desafio uma motivação e desse esforço um ganho partilhado. No fim, os resultados contam – mas contam ainda mais as pessoas que os tornam possíveis.

  • Rui Guedes
  • Chief sales officer da Páginas Amarelas

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