Que o melhor de 2020 seja o pior em 2021

  • Bernardo Cunha Ferreira
  • 30 Dezembro 2020

Entre outros desejos, que em 2021 os importantes roteiros e planos saiam, definitivamente do papel. 2021 tem todas as condições para que digamos, realisticamente, que o seu pior foi o melhor deste ano

Na noite de passagem de ano, entre as 12 passas, os saltos, os copos de champagne e os abraços, é tradição formular, àquelas pessoas que nos rodeiam, desejos mais (ou menos) genéricos, mais (ou menos) sentidos. Entre várias expressões endereçadas, sobressai sempre a intrigante expressão “que o melhor do ano anterior seja o pior do próximo ano”.

Sem grandes teorias ou filosofias em torno da extensão desta expressão, penso que ela integra em si mesma, verdades incontornáveis. Por um lado que o ano que começa não é um sonho/horizonte desligado do passado, particularmente daquelas construções, passos ou trabalhos iniciados no ano(s) anterior(es). Por outro, o ano que começa deve ter como perspetiva/objetivo um continuo aperfeiçoamento, não só humano mas também profissional, assumindo como metas mínimas aquilo que de melhor se alcançou em período anterior.

Se assim é do ponto de vista humano, também deveria ser assim numa perspetiva mais macro, particularmente quando se olha para um setor. Ao perspetivar o ano de 2021 no setor da Energia não podemos deixar de perceber os passos anteriormente dados, e 2020, com todo o circunstancialismo dramático decorrente da pandemia, foi um ano positivo para o setor da energia. Vejamos.

Do ponto de vista programático/político, aprovaram-se importantes roteiros para os próximos anos, com a aprovação e publicação do Plano Nacional Energia Clima (que integra importantes linhas de atuação e compromissos), da Estratégia Nacional para o Hidrogénio, assim como a publicação de importantes regimes jurídicos como seja do Sistema Nacional de Gás.

Do ponto vista prático, deram-se passos relevantes na implementação dos projetos fotovoltaicos resultantes do leilão solar de 2019, com a submissão por parte de todos os promotores dos terrenos necessários para a implementação dos projetos. Do mesmo modo, o leilão solar de 2020 foi um retumbante sucesso com o registo de um novo recorde mundial mínimo num leilão (EUR 11,14/MWh) o que confirmou a trajetória e o interesse dos investidores neste setor.

Do mesmo modo, na perspetiva transacional, o ano de 2020, apesar de todos os receios e riscos, representou um ano significativo com registo de cerca de 60 transações no setor com um valor total de EUR 8,8 mil milhões (segundo o mais recente relatório publicado pela Mergermarket).

Fazendo jus à expressão acima referida, esperemos mesmo que o melhor deste último ano seja o pior do próximo. Entre outros desejos, que em 2021 os importantes roteiros e planos saiam, definitivamente do papel. Será particularmente importante, na temática do hidrogénio enfrentar realisticamente os vários desafios que este tema suscita: o desafio legal, ambiental, técnico, económico, regulatório, político e financeiro (entre outros). Que em 2021 se prossiga igualmente a implementação dos variadíssimos projetos fotovoltaicos iniciados no leilão de 2019 e 2020, com a implementação de mais 1 ou 2 leilões de capacidade solar, a que se junta o início da implementação de projetos sustentados em acordos com o operador da rede que representam um valor total de potência para ligação à RNT de aproximadamente 3,5GVA.

A tudo acrescerá outros desejos eminentes em 2021: o desenvolvimento do lítio, a definição do futuro da refinaria de Sines, os avanços nas interligações, a readaptação das centrais de Sines e do Pego, o fecho de operações relevantes de M&A e ainda a possibilidade de introdução de mecanismos e incentivos vários (e.g. antecipação da entrada em mercado de centrais eólicas).

De tudo dito, 2021 tem todas as condições para que no seu termo digamos, realisticamente, que o seu pior foi o melhor deste ano.

  • Bernardo Cunha Ferreira
  • Associado de Energia & Alterações Climáticas da CMS Rui Pena & Arnaut

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