Reduzir, Reutilizar e Recuperar: A Economia Circular na Fileira Casa

  • Joaquim Carneiro
  • 1 Março 2021

No caso da Fileira Casa Portuguesa, a Economia Circular é desde sempre um conceito estratégico, assentando o seu propósito na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia.

A sustentabilidade não é mais apenas um característica ou condição importante para a credibilidade e posicionamento das empresas. Os cidadãos estão conscientes da realidade do aquecimento global e do esgotamento de recursos, esperando uma conduta mais eco-friendly por parte das marcas, que se diferencie em relação à concorrência. Segundo um estudo da Capgemini que remonta ao ano de 2020, 79% dos consumidores estão a mudar as suas preferências de compra com base em critérios de responsabilidade social, de inclusão e de impacto ambiental das marcas.

Por outro lado, a pandemia da COVID-19 provocou um aumento no nível de consciencialização dos consumidores, fazendo com que passassem a dar primazia a compras mais sustentáveis, afirmando-se mais conscientes da escassez de recursos naturais devido à atual crise pandémica. No caso da Fileira Casa Portuguesa, a Economia Circular é desde sempre um conceito estratégico, assentando o seu propósito na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia. Substituindo o conceito de fim de vida do produto, apostando na reutilização, restauro e renovação, num processo integrado, as empresas transformam as ineficiências nas cadeias de produção em valor económico.

Num inquérito conduzido aos associados da APIMA sobre a temática da Economia Circular, mais de metade das empresas inquiridas reitera fabricar produtos duráveis. 45% afirma desenvolver produtos modulares e cerca de 40% aposta na reparação e recuperação de produtos. No mesmo estudo, 60% das empresas declaram pretender redesenhar os seus produtos para facilitar a desmontagem para reparação ou separação dos materiais no fim de vida. Por seu turno, cerca de 40% dos inquiridos pretendem ainda vir a remanufaturar e a reabilitar produtos para venda em segunda mão.

Um sinal positivo na indústria portuguesa é a iniciativa da empresa Fenabel, que lançou recentemente o “Fenabel Design Contest 2021”, sob o tema Design sustentável de produtos de sentar e/ou mesas. O concurso inclui, entre outros critérios de avaliação, a “Durabilidade, capacidade de reparação e/ou restauro” das soluções, o “Potencial de reutilização e de reciclagem dos materiais” e o “Design circular do produto, promovendo, assim, a constante reutilização dos materiais, reduzindo o desperdício”. É ainda sublinhado que o “projeto apresentado a concurso deverá, acima de tudo, ser intemporal e duradouro”.

O estudo desenvolvido revela ainda que 80% das empresas afirma utilizar derivados de madeira no fabrico dos seus produtos, sendo que mais de metade utiliza madeira certificada e materiais reciclados e cerca de 50% utilizam produtos de acabamento de base aquosa e valorizam a madeira residual resultante do corte, nomeadamente em caldeiras de biomassa.

A AMfurniture adotou, entre outras medidas, a minimização de resíduos nas suas instalações, reaproveitando e valorizando todos os desperdícios. Os materiais sobrantes são aproveitados, por exemplo, para produzir equipamentos ou estruturas de apoio à produção.

É possível verificar que a Economia Circular é uma prática cada vez mais recorrente no seio deste cluster, porém, este modelo também se promove além da fábrica. Implementa-se através da adoção de novos modelos de negócio e divulga-se comunicando as ações das empresas em termos de sustentabilidade. Exemplo disso é a FLOOW2, que desenvolveu uma plataforma online de partilha B2B que permite às empresas e instituições partilharem a sua sobrecapacidade de ativos. Recorrendo a esta plataforma, as empresas e organizações podem
compartilhar equipamento, resíduos, materiais, serviços, instalações e pessoal com outras organizações, com benefícios financeiros, ambientais e sociais.

A Economia Circular traz assim oportunidades para um uso dos recursos mais eficiente e para o aumento da competitividade da indústria. No entanto, mais do que nunca, as empresas devem promover as suas boas-práticas, utilizando a comunicação e o marketing para disseminar ações de sustentabilidade, que contribuem para um impacto nulo na Fileira em termos de emissões. Hoje as técnicas de comunicação evoluíram no sentido de serem capazes de transmitir experiências, emoções e partilha de propósitos com o consumidor, devendo, por isso ser utilizadas pelas empresas.

A sustentabilidade urge como um tópico particularmente atual à escala nacional e internacional, sendo um dos grandes focos para as empresas da Fileira Casa em 2021. A empresas que se apresentam como promotoras de um ambiente mais sustentável e que comuniquem as suas boas-práticas culminarão este ano com o seu posicionamento competitivo reforçado.

  • Joaquim Carneiro
  • Presidente da APIMA - Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins

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