Somos seres de hábitos: será a sustentabilidade mais um?

  • Thibaud Hug de Larauze
  • 17 Março 2022

As empresas estão a produzir dispositivos eletrónicos em excesso e 90% da pegada de carbono da eletrónica provêm do fabrico de dispositivos.

A sustentabilidade tem vindo a ganhar contornos cada vez mais amplos e o nosso campo de possível ação individual acompanha o movimento, sendo premente que cada um de nós, enquanto cidadãos e consumidores, consigamos olhar para as escolhas que fazemos no quotidiano de forma mais consciente e ambientalmente sustentável.

E estas escolhas estão agora para além dos processos a que nos fomos ambientando ao longo dos últimos anos, como são exemplo a reciclagem e a reutilização de materiais. Mesmo que estas continuem a ser importantes, existem mais ações a tomar e, possivelmente, tão simples de implementar como a separação do lixo por ecopontos.

Vejamos, por exemplo, a forma como o mundo digital impacta o meio ambiente. Hoje este setor representa quase 4% das emissões globais de carbono e o grande impacto da tecnologia na quantidade de lixo prende-se com a produção de dispositivos.

Estima-se que, em 2040, a tecnologia de comunicação seja responsável por 14% do carbono emitido para a atmosfera, por consequência da produção e descarte desmensurados destes aparelhos. As empresas estão a produzir dispositivos eletrónicos em excesso e 90% da pegada de carbono da eletrónica provêm do fabrico de dispositivos.

Além disso, 1,5 mil milhões de smartphones são vendidos todos os anos no mundo, e apenas 17,5% dos resíduos eletrónicos são reciclados. Para que tenhamos uma ideia mais clara, hoje, para produzir um único smartphone são utilizados 908 litros de água, o que equivale a mais de 800 banhos. Então, quais são as soluções que estão na nossa mão?

Em primeiro lugar, é importante que avaliemos a vida e validade dos nossos aparelhos de forma mais realista e que não procuremos com tanta avidez a novidade. Seja isto em telemóveis, televisões ou até nos eletrodomésticos. Depois, e caso a solução seja realmente a substituição do aparelho, devemos considerar que mais opções existem para além da compra de aparelhos novos.

É aqui que surge a consideração pelos produtos em segundo mão, ou pelos dispositivos recondicionados, um conceito que é cada vez mais tendência e que veio para ficar.

Estes aparelhos, recondicionados, são tratados para voltar a melhorar a sua performance e aspeto, mesmo após algum tempo de utilização. Ao optarmos por estes dispositivos, estamos também a diminuir a nossa pegada ecológica individual, sem abdicar da qualidade, garantias e ainda por um preço mais baixo.

É verdade que o recondicionamento também tem impacto ambiental, mas as emissões de CO2 e que o processo de recondicionamento de um smartphone emite são 16,5 vezes menores do que as consequentes da produção de um novo telemóvel, o que significa que o benefício ambiental de um smartphone recondicionado é de 77% a 91% em comparação com o novo equipamento.

Então, porque não fazer das nossas escolhas mais sustentáveis em diversos campos da nossa vida?

As preocupações com o ambiente são cada vez mais, mas as soluções que são criadas para as combater também. É preciso que sejamos conscientes nas nossas escolhas, nas mais variadas áreas, para que as opções sustentáveis sejam mais do que uma opção, a primeira escolha.

  • Thibaud Hug de Larauze
  • Co-founder & CEO do Back Market

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