Tendências da transição energética

  • Luís Vaz de Carvalho
  • 16 Agosto 2022

As alterações climáticas, o contexto geopolítico e a guerra na Europa vieram demonstrar a necessidade e a importância da redução da dependência dos combustíveis fosseis no nosso país e na Europa.

As vagas de calor e a seca extrema que têm atravessado Portugal demonstram claramente os efeitos nefastos das alterações climáticas para os quais temos sido alertados pelas diversas evidências científicas dos últimos anos. Sentimo-las na pele, no nosso dia-a-dia, e estão mais presentes do que nunca. A somar a esta alteração estruturante sentida em todo o planeta, o contexto geopolítico e a guerra na Europa vieram demonstrar a necessidade e a importância da redução da dependência dos combustíveis fosseis no nosso país e na Europa. É evidente que acelerar a transição energética é agora mais fundamental do que nunca.

Dito isto, vale a pena observarmos o que tem sido feito no setor energético, para anteciparmos o futuro que se aproxima a uma velocidade vertiginosa. De acordo com uma análise recente — do Energy Trends Report — o setor de energia está investir profundamente em inovação tecnológica incluindo em startups tecnológicas, para acelerarem a sua transformação e aproveitarem as oportunidades criadas pela crescente introdução de mais fontes de energia renovável e/ou limpa e tendências como a mobilidade inteligente.

O relatório revela que o hidrogénio (verde e azul), os combustíveis sintéticos, a capacidade de armazenamento de energia e a digitalização dos sistemas serão os grandes dínamos de transformação do sector nos próximos anos. Destaca em particular o esforço que tem sido feito para eletrificar os transportes ligeiros dos países desenvolvidos, os e-fuels, pelo papel que vão desempenhar na transformação do transporte pesado — automóvel, marítimo e aéreo — assim como a aposta recente de
muitos países no armazenamento de energia, para protegerem as suas economias e sociedades.

Em Portugal, o movimento de exploração das energias renováveis não é novo, mas tem ganho um novo impulso com o surgimento de parques solares, comunidades solares, investimentos na produção de energia através de biomassa e também na produção de hidrogénio. Depois de uma grande aposta na energia eólica, reside também uma grande oportunidade na exploração da energia do vento em alto mar, que capitalize a nossa grande frente marítima.

Por outro lado, a falta de chuva tem colocado grandes desafios à produção de energia hidroelétrica — a principal fonte do país — o que só vem demonstrar a importância de se diversificarem as fontes de produção e até o aumento da capacidade para além das
necessidades naturais do território, de forma a aumentar a resiliência do sistema, em alturas de crise como a que vivemos.

Também a mobilidade elétrica e inteligente tem assistido a uma evolução significativa no país, com o aumento do peso das vendas de automóveis elétricos face ao total, apesar de existirem ainda lacunas em termos da rede de carregamento, o que constitui uma grande oportunidade para os agentes do setor.

Os sinais de mudança são positivos, mas estão ainda longe do que será ideal, razão pela qual a disponibilização de estímulos financeiros para promover a recuperação das economias no pós pandemia – como o programa Next Generation EU – pode ser uma
grande alavanca para a transformação energética do mundo rumo à neutralidade carbónica. Uma meta que não pode ser apenas um objetivo de retórica, pois é de sobrevivência que se trata.

  • Luís Vaz de Carvalho
  • Associate Partner & Head of Utilities NTT DATA Portugal

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