Tornar o lucro sustentável e a sustentabilidade rentável

  • Claudio Muruzabal
  • 22 Dezembro 2021

As empresas que irão prosperar, no mundo pós-pandemia, serão aquelas que colocam o aspeto social da sustentabilidade no centro das suas estratégias de negócio.

Nos últimos 20 meses, o mundo empresarial esteve tão concentrado na Covid-19 que desviou os olhos de uma área tão importante como é a responsabilidade social empresarial (RSE). Mas escreva-se isto: as empresas que irão prosperar, no mundo pós-pandemia, serão aquelas que colocam o aspeto social da sustentabilidade no centro das suas estratégias de negócio.

Antes da pandemia, muitas empresas abordavam a RSE, envolvendo, de forma ultrapassada, os seus colaboradores. Além disso, traziam relatórios bem elaborados e construídos, dotados de raciocínios inteligentes sobre o que é ser uma empresa socialmente responsável. Eram anunciadas visões e valores ousados, sem que estes fossem vividos no dia-a-dia. Mas o que, hoje, se observa é um claro desafio às empresas para, constantemente, assegurarem relevância e responsabilidade num mundo totalmente diferente.

Mas qual o significado disto? Sabemos que o mundo dos negócios mudou definitivamente. As empresas que têm como meta estar no mercado, nos próximos 10 a 20 anos, terão de entender que, para criarem valor a longo prazo, terão de alinhar os seus objetivos com os das comunidades onde se encontram. A sua atuação operacional não pode ser levada a cabo apenas para interesse dos acionistas, mas para interesse dos colaboradores, das comunidades e do planeta. Os dias em que se almejavam ganhos no curto prazo, em detrimento do valor de longo prazo, estão a ficar para trás.

Além disso, a responsabilidade social não nem deve ser encarada como se se tratasse de mais um requisito de conformidade. O trabalho desenvolvido para lidar com as fraquezas da humanidade, especialmente a desigualdade, oferece oportunidades de negócio para as empresas visionárias. As que destacar-se-ão na próxima década serão aquelas em que a vertente social e as práticas de sustentabilidade integrarão os seus modelos de negócio e as suas ofertas de produtos e serviços.

Em setembro de 2015, os líderes mundiais adotaram as Metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas – ou os SDGs, como são comummente conhecidos. Estão diretamente associados à responsabilidade empresarial de inovar com um propósito, no sentido da criação, até 2030, de um mundo sem pobreza, de um planeta mais saudável e de uma sociedade justa e pacífica.

As empresas devem assumir estes propósitos superiores, além do sucesso económico. É nossa missão ajudar países, organizações do setor público e privado e cidadãos comuns, a controlar riscos, a alcançar a conformidade das normativas, assim como a usar os recursos de forma eficiente e a implementar práticas de medição e redução das emissões. Temos a missão de ajudar as empresas a inovar nos modelos de negócio, de modo a prosperarem na economia digital e da experiência. É fundamental erradicar a escravidão nas cadeias de abastecimento, impulsionar uma economia circular, neutra ao nível das emissões de carbono e sem resíduos ou desperdício, assim como a eliminar a desigualdade e promover a educação daqueles que nunca tiveram a oportunidade de entrar numa sala de aula.

O que sabemos, porém, é que os importantes contributos para os SDGs requerem ligações tangíveis entre uma atividade ou ferramenta e o impacto social, ambiental e económico pretendido. Deve haver um vínculo material entre as nossas atividades operacionais e o impacto que podemos ter como empresa. Caso contrário, a narrativa torna-se arbitrária.

Mas como se estabelecem estas ligações? Para começar, é necessário que as empresas se envolvam ativamente com a educação e a melhoria das competências dos próprios colaboradores e de todos aqueles que chegam de novo às organizações. As empresas dispõem de inúmeras formas de promover e aumentar a diversidade na força de trabalho e garantir que cada colaborador tem acesso às mesmas oportunidades de desenvolvimento, porque as mais bem-sucedidas são aquelas que melhor refletem a diversidade da sociedade e dos seus clientes.

Ser uma empresa sustentável significa liderar com agilidade e conduzir uma atitude de crescimento pessoal. A continuidade do negócio pode depender da habilidade de cada empresa para requalificar e melhorar as competências da força de trabalho para a era digital. Todavia, hoje, é mais importante do que nunca incluir, nessa melhoria, as competências humanas da empatia, flexibilidade e gestão de stress. Simplificando, quanto mais concentrada estiver uma empresa nos seus colaboradores e nas suas responsabilidades sociais, mais bem-sucedida será essa empresa.

É quase desnecessário dizer que, atualmente, as empresas mais resilientes são aquelas que estão a adotar a tecnologia para transformar os seus processos de negócio. Se a Covid-19 nos mostrou alguma coisa, foi a necessidade urgente de todas as empresas do mundo se tornarem em empresas inteligentes, o mais cedo possível. A tecnologia é a cola que mantém tudo unido e que nos permite tomar decisões mais fundamentadas, assegurando um futuro sustentável e estando a sociedade no centro da sua operação.

Sugiro que leia o título novamente: tornar o lucro sustentável e a sustentabilidade rentável. Este é um mantra que deveremos seguir, enquanto olhamos para um futuro melhor para todos.

  • Claudio Muruzabal
  • Presidente da SAP para o Sul da Europa, Médio Oriente e África

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