Editorial

Um Bloco de ‘fake news’

O BE conta, sim. O partido foi "normalizado", e "normalizou" o discurso, por tática política, mas o radicalismo e extremismo continuam lá. À espera de uma oportunidade.

O Bloco de Esquerda quer ser governo, Catarina Martins e os seus principais dirigentes, entre os quais o ideólogo Francisco Louçã, repetiram-no à náusea na convenção deste fim de semana. Para avisar o PS de António Costa, para se auto-convencer, para mobilizar, porque o poder está ali à mão de semear. O partido de protesto, revolucionário, que vê virtudes em regimes como o da Venezuela, mudou de roupa, aprendeu nestes três anos de geringonça o cinismo da política, o discurso (mais) polido. Mas, no fundo, continua a ser o que era. Um Bloco de ‘fake news’.

Catarina Martins, reconheça-se, passou a jogar na primeira liga da política nacional. Ganhou o partido, afastou os concorrentes internos e tomou conta de um certo discurso que nem o PCP está à vontade para promover, sobretudo moralista. A geringonça deu-lhe o resto, a influência, mas sobretudo o acesso ao poder. Aos dossiês, aos corredores dos ministérios, à informação que faz a diferença entre quem está no governo e na oposição. E Catarina Martins aprendeu. O suficiente para dizer agora, a António Costa, o virtual vencedor das próximas legislativas, que tem de contar com o Bloco de Esquerda. Para o Governo e só com contrato assinado.

Mas o Bloco de Esquerda mudou? Na substância, nem uma linha. Continua a querer o controlo público da banca e da energia, por exemplo. É uma das propostas na agenda “reformista” ou, melhor, “progressista”. E se tirou do discurso público a reestruturação da dívida, foi por puras razões de tática política. Com o desempenho de Centeno, que cortou o que foi preciso para permitir a política de distribuição, as contas públicas, a dívida que não se paga deixou de trazer votos. Mas lá continua o fim do Tratado orçamental, claro.

O Bloco de Esquerda foi responsável por algumas das medidas mais populares dos últimos três anos, sim, nas pensões ou o salário mínimo. Mas isso trouxe outra austeridade, da qual o BE também é responsável, a carga fiscal mais elevada de sempre, os cortes no investimento para a saúde e educação, também nos transportes, as cativações. Foi o preço que o PS esteve disposto a pagar para ter o apoio do Bloco, e do PCP. À boleia de uma conjuntura excecionalmente favorável, parece que tudo foi possível. E dizem-nos que vai continuar a ser. Como em 2001, com António Guterres. A mais grave das ‘fake news’ é esta.

O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, sintetizou, numa frase, o que é o entendimento do Bloco de Esquerda sobre a democracia, irónico, porque vem de um partido que esteve fora do arco do poder até António Costa vender a alma ao diabo. “A direita não conta para o futuro do país”. O BE conta, sim, como se viu. Foi “normalizado”, “normalizou” o discurso, mas o radicalismo e extremismo continuam lá. O ataque à liberdade, à iniciativa privada, à concorrência. À espera de uma oportunidade.

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