Um Natal diferente

  • Pedro Morais Fidalgo
  • 22 Dezembro 2020

Pedro Morais Fidalgo, CEO da mediadora Certezza, considera que não há Inteligência Artificial que valha um bom consultor que ouça as pessoas, que “entre na pele” das suas necessidades e problemas.

Este é sem dúvida um Natal diferente. A magia do último Natal deixa já uma enorme saudade. Saudade de estar à mesa da consoada com aqueles que mais gostamos, com a ternura dos nossos mais velhos, com a alegria dos nossos mais novos. Mal sabíamos o que viria a acontecer. Tal como tudo na vida, o tempo encarrega-se de mostrar através das difíceis lições que não devemos dar nada por garantido neste mundo em que vivemos.

Esta maldita pandemia já levou mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo e mais de 4.000 vidas em Portugal. Nesta altura o meu pensamento vai para quem este ano perdeu os seus familiares e será possivelmente uma data dolorosa, quando começam a faltar as pessoas que amamos à mesa da consoada.

É também um momento difícil para quem perdeu os seus empregos ou os seus negócios de uma vida. Este Natal será menos fácil, com uma mesa menos rica e envolto numa sombra de incertezas sobre o futuro que aí vem mas sou otimista por natureza e acredito piamente no potencial dos portugueses para superar rapidamente este período. Este é o momento em que sinto que a palavra solidariedade faz todo o sentido, em todas as dimensões da nossa vida. É uma palavra que não podemos deixar vazia e devemos refletir em como podemos ser diferentes e ter impacto positivo na vida das pessoas que nos rodeiam.

A nível profissional também podemos e devemos ser diferentes. No Grupo onde exerço funções tomámos este ano diversas decisões que acreditávamos que iriam fazer a diferença na vida dos nossos colaboradores, dos nossos clientes e dos nossos parceiros. Por exemplo, decidimos manter o aumento de salários dos nossos colaboradores projetados para 2020. Esta decisão era nuclear para lhes dar estabilidade e se focarem no que é importante, de viverem a vida possível, cuidarem das suas famílias e estarem motivados ao mesmo tempo nas suas funções. Aproveito para deixar uma palavra de um profundo agradecimento a todos eles por mais um grande ano, de superação nos resultados, no crescimento mas em especial na atitude perante esta pandemia. Sei bem que nem todos os gestores puderam tomar uma decisão similar, no entanto, não tenho dúvidas que se tiveram que tomar medidas mais drásticas é porque, infelizmente, foram obrigados a isso.

Acresce que, ainda este ano, anunciámos que tínhamos a ambição de trazer para o nosso projeto cerca de 100 candidatos para serem formados como mediadores de seguros. No dia em que anunciei, nesta mesma publicação, recebi diversas mensagens, umas mais irónicas do que outras, mas na generalidade a palavra “louco” era a que mais sobressaía. A decisão de anunciar foi bastante ponderada pela equipa sénior da Certezza. Queríamos crescer, mas também, e mais importante, sabíamos que nesta fase, num setor como a mediação de seguros era importante demonstrar opções no mercado, opções positivas para quem quisesse e precisasse dar um novo rumo à sua vida (o que aconteceu com muitos portugueses) e quisesse entrar numa empresa que quer continuar a afirmar-se em Portugal e lá fora. Não vamos conseguir chegar às 100 pessoas, até porque, como a função implica contacto direto com clientes, houve algum receio, o que é muito natural. Ainda assim, contratámos mais de 40 novos colaboradores e mediadores em 6 meses e a remunerar com comissões acima do mercado em Portugal.

Por último, mais do que nunca, foi preciso ouvir e continuar a centrar a nossa oferta nas necessidades dos nossos clientes. Nesta fase complicada, os mediadores têm a obrigação de serem os melhores advogados de defesa de quem procura a melhor solução de proteção, sejam seguros de vida ou de não vida. A maioria das preocupações centrava-se na solução que equilibrasse as suas necessidades com a poupança. Isto foi muito importante, porque não há Inteligência Artificial que valha um bom consultor que ouça as pessoas, que “entre na pele” das necessidades e nos problemas das pessoas e encontre a solução que melhor responda aos seus desafios.

Se a palavra solidariedade em 2020 foi necessária, acredito que para o ano que aí vem será mais que uma palavra – um ato – um ato e uma resposta para sairmos desta crise e voltarmos de novo a ter um Natal normal, que não seja só uma saudade, mas uma realidade vindoura. É essa a esperança e o nosso desejo para esta época especial.

  • Pedro Morais Fidalgo
  • CEO da Certezza

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