Urgência da mobilidade elétrica para a transição energética

  • Luís Barroso
  • 22 Dezembro 2021

A mobilidade elétrica traz inúmeras vantagens, nomeadamente a redução da dependência energética e aumento da eficiência energética, a diminuição das emissões de CO2 na atmosfera.

Numa altura em que tanto se fala da escalada do preço dos combustíveis, com valores máximos a serem atingidos dia após dia, onde o setor dos transportes e as emissões associadas aos veículos a combustão têm um peso considerável, torna-se cada vez mais importante refletir sobre uma solução alternativa e os benefícios da mobilidade sustentável.

Diria que é importante questionar mesmo a urgência da transição para a mobilidade elétrica, no que ao setor dos transportes diz respeito, no combate à descarbonização. A mobilidade elétrica traz inúmeras vantagens, nomeadamente a redução da dependência energética e aumento da eficiência energética, a diminuição das emissões de CO2 na atmosfera, e o aumento da energia renovável no setor dos transportes. Ora, todos estes benefícios que a mobilidade elétrica representa já hoje surgem numa altura de consciencialização ambiental em torno da transição para uma sociedade menos poluente, mais descarbonizada e mais sustentável.

Mas para que possamos falar de um futuro mais sustentável é importante estarmos alinhados com as políticas globais. Portugal e a Europa têm vindo, nos últimos anos, a alterar o seu paradigma de produção de eletricidade, com uma incorporação crescente de fontes renováveis, até setembro representaram mais de 60% da produção total deste ano. Recentemente, a Comissão Europeia decidiu rever em alta o objetivo de redução dos gases de efeito de estufa de 40% para 55% até 2030, em relação a 1990.

Com este esforço, a eletricidade que utilizamos é cada vez mais limpa e de produção local. A mobilidade elétrica traz, sem dúvida, benefícios e, de acordo com os dados deste ano, até setembro, disponibilizados pela MOBI.E, verifica-se que foi possível realizar uma poupança de 9.386 toneladas de CO2 (7.500 toneladas em todo o ano de 2020), com um consumo de 12.997 MWh de energia (10.574 MWh em todo o ano de 2020). Acresce que, em setembro de 2021, a quota de mercado de vendas de veículos elétricos atingiu os 25%.

Estes números traduzem, de facto, que a utilização de soluções alternativas aos veículos a combustão, como é o caso dos veículos elétricos, estão a ter uma adesão crescente por parte dos utilizadores e isso deve-se também a um maior número de opções que enriquecem o mercado e à inovação que os veículos elétricos estão a ser alvo nestes últimos 2 anos, no que em termos de autonomia, eficiência, versatilidade e tecnologia utilizadas nas baterias diz respeito.

A produção de veículos elétricos é hoje economicamente viável e apresenta-se como a melhor solução disponível para substituir os tradicionais motores a combustão. A título de exemplo, a manutenção de um veículo elétrico é bastante mais simples e, em média, os gastos anuais de manutenção nos veículos a combustão triplicam. Mas também ao nível do custo de aquisição o aumento da oferta de modelos tem vindo a fazer reduzir o custo que, para além disso, ainda conta com importantes incentivos do Estado, como subsídios ou isenção de IUC e IVA (para as empresas).

De tal forma que os estudos mais recentes começam a mostrar uma tendência constante ao apontarem que os veículos elétricos em todos os segmentos começam a traduzir-se numa opção economicamente mais barata que a dos veículos a combustão interna.

Mas a aposta na mobilidade elétrica traduz-se também na disponibilização de uma infraestrutura de carregamento fiável e com um número crescente de postos com mais opções de carregamento – normais, semirrápidos, rápidos e ultrarrápidos.

O esforço que tem vindo a ser efetuado nos últimos 5 anos em Portugal começa a dar resultados, a dispersão geográfica está perto dos 100%, somos o 4º país europeu com o maior número de postos de carregamento por 100 km, disponibilizamos cerca de 150% da potência da rede que a Europa irá exigir dentro de 2 a 3 anos e o futuro regulamento europeu para a mobilidade elétrica que se encontra em discussão aponta para a adoção de muitas das características do nosso modelo – o modelo Mobi.E – como a integração de redes, o conceito de acesso público à infraestrutura de carregamento e os pagamentos ad hoc.

Esta é a resposta à evolução que todos temos de fazer para, em conjunto, caminharmos para o desenvolvimento da mobilidade sustentável.

Acredito que à medida que este mercado for ganhando maturidade, a consciencialização social para as preocupações ambientais será tão alargada que a opção por soluções descarbonizadas de mobilidade sustentável como a elétrica, quer seja suave, partilhada, através de transportes públicos ou individual, será tão natural como foi a opção do século passado por soluções de combustíveis fósseis. E torna-se cada vez mais premente acelerar o ritmo da transição energética.

  • Luís Barroso
  • Presidente da MOBI.E

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