Editorial

Vem aí uma nova auditoria… ao Novo Banco. E ainda bem

O Novo Banco vai pedir mais um cheque gordo ao fundo de resolução, e já nos disseram que vai ser no mínimo de 700 milhões. Vai ser mais. E é por isso que é obrigatória uma auditoria.

Vem aí uma nova auditoria a um banco e, à semelhança do que sucedeu na realizada pela EY à Caixa Geral de Depósitos, a que vai ser feita ao Novo Banco, desta vez pela Deloitte, vai passar a pente fino as operações de crédito concedidas pelo menos na última década. Vamos ser confrontados, outra vez, com um certo regime, que tudo permitia, e alguns financiava, mas também vamos saber afinal como é que está a ser usada a garantia pública pelo Lone Star, os donos do Novo Banco.

Já aqui o escrevi mais do que uma vez: quem olha para o negócio de venda do Novo Banco, questiona-se com a generosidade do negócio, em que os outros bancos, através do Fundo de Resolução e financiados pelos contribuintes, assumiram um risco de 3,9 mil milhões de euros. Mas a verdade é que, no final do dia, o Lone Star estava sozinho na corrida. Como, aliás, esteve o fundo Apollo quando comprou a Tranquilidade por 40 milhões e, depois, a vendeu por cerca de 600 milhões. Por incrível que possa parecer, foi o Lone Star a assumir aquele risco, porque os outros potenciais candidatos exigiam mais garantias, ou simplesmente não tinham condições para ir a jogo.

Dito isto, também já percebemos todos, ao contrário do que nos foi vendido, que o Lone Star vai usar a garantia de 3,9 mil milhões de euros. Devagar, devagarinho, vão-nos dando a informação do que aí vem, para o choque ser menor. Para já, os portugueses já incorporaram que vão ter de pagar uma fatura de pelo menos 700 milhões de euros no primeiro trimestre do próximo ano. Mas, fica aqui escrito, e sujeito a escrutínio, vai estar mais próximo dos mil milhões do que dos 700 milhões.

É neste contexto que surge a auditoria ao Novo Banco. Recorda o Público: O Novo Banco registou perdas relacionadas com o “processo de restruturação e desalavancagem de activos não produtivos, designadamente o projecto Sertorius, o projecto Albatros, o projecto NATA II e o processo de venda da GNB Vida, cujo impacto negativo ascendeu a 391 milhões de euros”. É claro que o Ministério das Finanças, com esta auditoria, também se quer proteger do impacto mediático de mais um cheque que, na verdade, está definido em 3,9 mil milhões desde o primeiro dia e, por isso, passível de ser usado.

O recurso à garantia pública do fundo de resolução — já foram usados 1941 milhões de euros relativos a 2017 e a 2018 – passa também pelo crivo do próprio fundo, além de uma comissão mista (que ainda ninguém percebeu verdadeiramente o que faz). Ou seja, Máximo dos Santos, um putativo candidato a governador do Banco de Portugal, também vai estar sob escrutínio. Fez o que deveria? Foi suficientemente exigente?

Esta auditoria é, de qualquer forma, obrigatória, desde logo pela necessidade de transparência. O Novo Banco faz a habilidade de separar a instituição em dois bancos — o que está protegido pela garantia, o Legacy, e o chamado recorrente — para mostrar o que está a ser feito todos os dias ao balcão, na sua estratégia comercial e financeira. É uma habilidade porque todos têm o seu passado, o BCP, a CGD, o Montepio ou o BPI e se todos seguissem o mesmo critério, teríamos uma realidade paralela cor-de-rosa. Não temos. Mas esta estratégia tem uma virtude, a de se poder avaliar como é que o Novo Banco chegou até aqui. E o caminho, como se sabe, não foi bonito.

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