AMIgos são para as ocasiões. Como a Auchan e a AMI levam compras a quem precisa

A pandemia trouxe o confinamento a muitos idosos e doentes crónicos de risco. Na impossibilidade de saírem de casa, a Auchan e a AMI juntaram-se para levar bens essenciais a quem mais precisa.

Cereais, pão, ovos, iogurtes, leite, azeite, carne e peixe. Estes são alguns dos produtos alimentares que fazem parte da lista de compras de supermercado de qualquer pessoa e, em condições normais, acessíveis a qualquer um. Mas por estes dias, a pandemia trouxe algumas condicionantes. O confinamento decretado pelo estado de emergência das últimas semanas obrigou muitos portugueses, que fazem parte do chamado “grupo de risco”, a ficarem em casa.

Neste contexto, a Auchan Retail Portugal aliou-se à AMI numa iniciativa batizada “Os AMIgos são para as ocasiões. Deixe-se estar em casa!”. Assim, são entregues cerca de mil cabazes com bens essenciais a idosos, doentes oncológicos, diabéticos, pessoas com VIH, famílias monoparentais e outros casos de risco acrescido em situação de isolamento social, beneficiários dos Centros Porta Amiga da AMI.

Objetivo? Promover a contenção da propagação da pandemia e ao mesmo tempo fomentar as dinâmicas solidárias da comunidade, procurando concretizar os compromissos de responsabilidade social das empresas junto de famílias mais carenciadas.

Auchan e AMI entregam cabazes de alimentos a pessoas carenciadas e de risco durante a pandemia - 23ABR20
Hugo Amaral/ECO

O processo passa pela identificação das necessidades de cada beneficiário, cabendo aos voluntários da AMI, a responsabilidade da compra e entrega dos cabazes alimentares e de higiene. É aqui que entra o contributo da voluntária Marisa Figueiredo de Oliveira, de 30 anos. “Um amigo meu disse-me que a AMI estava a precisar de voluntários para apoiar famílias que, neste momento, devido ao confinamento, não podem sair de casa. Tenho duas famílias a meu cargo pelas quais faço as compras de supermercado a cada 15 dias”, conta ao ECO na entrada da loja da Auchan em Alfragide.

Esta é a primeira vez que Marisa vai fazer as compras do senhor Augusto, um dos beneficiários desta iniciativa. Na lista fornecida pela AMI estão sobretudo bens alimentares, mas também alguns produtos de higiene e limpeza. Não existe propriamente um limite de orçamento para o cabaz. “Quanto menos gastarmos mais famílias conseguimos apoiar. Tentamos optar sempre que possível por produtos que estejam em promoção ou de marca Auchan”, refere a voluntária, enquanto procura meia dúzia de ovos para colocar no carrinho de compras onde já estão massas, arroz, leite, iogurtes e alguns alimentos em conserva.

As compras são feitas durante a hora de almoço de Marisa, o período que tem disponível para dedicar a esta ação de voluntariado. “Na semana passada o elevador da família beneficiária só ia até ao 4.º andar. Depois tive de subir a pé mais dois andares de escadas com os sacos das compras”, conta, com boa disposição.

Não é o caso do senhor Augusto. O beneficiário de 72 anos mora no rés-do-chão de um prédio num bairro perto das Olaias. Tinha acabado de chegar a casa, vindo do posto médico, mesmo ali ao lado, onde tinha ido buscar a medicação para a diabetes. E não usa máscara? “Trago aqui uma no bolso, mas custa-me a respirar. Mas, como praticamente não saio de casa…”, conta, enquanto coloca em cima da mesa da cozinha os sacos de compras entregues por Marisa.

Auchan e AMI entregam cabazes de alimentos a pessoas carenciadas e de risco durante a pandemia - 23ABR20
Hugo Amaral/ECO

E nesta altura, Augusto é incapaz de segurar as lágrimas: “isto é uma alegria! Já vai dar para muito tempo”. São quatro ou cinco sacos com um pouco de tudo, incluindo vegetais, fruta, peixe e carne. “Hoje ao almoço fiz bacalhau cozido com batatas e ovos. Também faço caldeirada. Faço tudo!” E para o jantar, o que vai fazer? Augusto olha para as compras em cima da mesa e sorri: “Uma massa com grão, daqueles cotovelinhos que eu gosto!”

Perto da mesma mesa, Cassilda, também de 72 anos, que partilha a companhia de Augusto, deixa a sugestão para uma embalagem de peixe congelado que entretanto retira dos sacos das compras. “Parto as postas ao meio, tiro as escamas e ponho em alho e leite a marinar durante a noite. Depois junto farinha de milho torrado e vai a fritar”, relata.

A descrição faz abrir o apetite a Marisa, que já quase no fim da sua hora de almoço e pressionada pela necessidade de retomar o trabalho diário, se despede de Augusto e Cassilda com a promessa de mais dois dedos de conversa dentro de 15 dias. E também de novas receitas.

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