• Reportagem por:
  • Leonor Rodrigues

Esqueça o restaurante e vá jantar à casa do chef

Startup portuguesa Portuguese Table convida os turistas a experimentarem a gastronomia portuguesa da forma mais genuína possível e o sucesso não tem sido pouco.

E se, em vez de ir ao restaurante, fosse jantar à casa de um chef? É isso mesmo que a Portuguese Table, uma plataforma online dedicada à gastronomia portuguesa, lhe propõe. O ECO rumou ao norte do país, mais concretamente a Vila do Conde, onde foi recebido pelos três sócios da startup portuguesa, Paulo Castro, Jorge Azevedo e Paulo Lopes.

Criada no início deste ano, a ideia da Portuguese Table nasceu mais cedo, em 2012, em Barcelona (Espanha), quando o fundador, Paulo Castro, descobriu o conceito dos underground restaurants e foi convidado para ir jantar a casa de um chef. “Muito mais do que a comida, aquilo que me deixou entusiasmado foi a experiência”, conta.

À volta da mesa estavam pessoas de várias nacionalidades e que não se conheciam. Quando chegou a Portugal e foi tirar uma pós-graduação em Marketing Digital, voltou a pegar no conceito. A ideia evoluiu para o negócio, que se caracteriza pela hospitalidade e gastronomia portuguesas tão apreciadas pelos turistas que visitam o país.

“Como qualquer pessoa que gosta de boa comida, nós acreditamos na arte portuguesa de bem servir”, afirma Paulo Castro, que considera que “juntar uma mesa de pessoas desconhecidas é a melhor experiência gastronómica e social que alguma vez se pode viver”.

Acreditamos na arte portuguesa de bem servir.

Paulo Castro, Portuguese Table

No entanto, “a área da gastronomia ainda tem muito para desenvolver”, diz Paulo, enquanto nos serve um almoço totalmente nacional, o que incluiu cebola confitada em vinho do Porto, queijo grelhado, pato, migas de grelos e pêra bêbeda com queijo mascarpone, entre outras iguarias.

Mas o que tem de especial a gastronomia portuguesa?

“Há que referir que [a gastronomia portuguesa] está subdividida em, pelo menos, 11 regiões, desde Trás-os-Montes ao Algarve, nunca esquecendo as nossas ilhas. Duvidamos que mais algum território no mundo tenha tão grande variedade de produtos alimentares, pratos característicos, transmitidos por tradição, por metro quadrado”, explica o CEO, que acrescenta que, “como qualquer província tem os seus monumentos locais e a sua história, também tem o seu petisco, doce e produto alimentar típico”.

A startup já conta com vários chefs e parceiros, como o Turismo de Portugal e a Garrafeira Nacional, que tem um papel importante no sentido em que as refeições são acompanhadas exclusivamente por água e vinho – nacional, claro.

“O que os turistas querem é ter uma experiência de gastronomia portuguesa realmente genuína”, afirma Paulo Lopes, sócio da startup e fundador da sua própria empresa de turismo de natureza. É isso mesmo que a Portuguese Table garante oferecer aos seus clientes.

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E o que é que é preciso para ser um chef da Portuguese Table? “Antes de mais, não é necessário ser um chef profissional”, esclarece Paulo Castro. No entanto, os candidatos têm de preencher determinados requisitos, como saber cozinhar, querer receber turistas em casa que estão de passagem pelo nosso país e que falem, pelo menos, uma língua estrangeira: “Queremos apostar nos ‘chefs de cozinha lá de casa’, partilhar o surpreendente paladar da descoberta e abrir o apetite à vontade de conhecer novas pessoas”. Acima de tudo, “procura-se mais um anfitrião do que um chef”.

Para o cliente, o processo não poderia ser mais simples: a reserva é feita no site, onde também é possível consultar os menus e escolher o anfitrião que vai recebê-lo. Os menus são 100% portugueses e os preços são variáveis — normalmente entre os 25 e os 50 euros por pessoa. As ofertas também satisfazem todos os gostos, inclusivamente o dos vegetarianos, ainda que o forte seja naturalmente a carne.

Damos total liberdade à criatividade dos nossos anfitriões. Cada evento é uma experiência única, pelo seu menu, anfitrião e convidados”, afirma Paulo Castro.

Uma mesa portuguesa a caminho do mundo

Planos para o futuro? São vários. Depois de, este ano, terem marcado presença em vários eventos em Lisboa e no Porto, em 2017 a startup de Vila do Conde quer chegar à Madeira, aos Açores e ao Algarve, e disponibilizar uma loja online.

“O objetivo em 2017 é tentar cobrir o território nacional de forma mais satisfatória”, diz o CEO da Portuguese Table. Depois, em 2018, a ideia é a internacionalização: “Chegar aos portugueses que amam o seu país, que gostam de cozinhar e receber”. Os destinos são Espanha, Reino Unido, Brasil e Angola.

Editado por Mariana de Araújo Barbosa (mariana.barbosa@eco.pt)

  • Leonor Rodrigues
  • Redatora

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