FMI: Bancos portugueses têm de mudar abordagem

  • Rita Atalaia
  • 22 Setembro 2016

O Fundo Monetário Internacional diz que o setor bancário português precisa de mudar a abordagem e adotar uma forte supervisão bancária.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou esta quinta-feira a importância de Portugal ter uma forte supervisão bancária prospetiva e uma abordagem pró-ativa à desalavancagem do setor privado.

“Desde que o programa acabou, a qualidade dos ativos continuou a deteriorar-se, o terceiro maior banco (Banco Espírito Santo) faliu e foram reveladas mais necessidades de recapitalização em vários bancos”, de acordo com o Artigo IV do fundo, no âmbito da quarta avaliação pós-resgate, referindo-se às injeções de capital no Banif – Banco Internacional do Funchal e Caixa Geral de Depósitos.

Os responsáveis do fundo alertam que resolver as vulnerabilidades no setor bancário deve ser a principal prioridade, sobretudo a redução do crédito malparado que continua a pesar na banca nacional. “Os bancos ainda estão a lutar com o legado dos créditos malparados, principalmente entre as pequenas e médias empresas. Esta questão está claramente associada ao crescimento. Quando o crescimento é moroso, lidar com créditos malparados requer mais tempo”, disse o FMI.

Desde que o programa acabou, a qualidade dos ativos continuou a deteriorar-se, o terceiro maior banco (Banco Espírito Santo) faliu e foram reveladas mais necessidades de recapitalização em vários bancos

Fundo Monetário Internacional

O fundo diz que os alvos gerais do programa foram alcançados, mas que o sistema bancário ficou numa fraca posição financeira. “Devido às dívidas incobráveis, muitas empresas não se encontram em situação de investir porque os bancos estão relutantes em emprestar mais a estas ou a novas empresas. Isto perpetua o ciclo vicioso de crédito malparado elevado, alavancagem excessiva e baixo crescimento”, nota o FMI.

Embora os bancos tenham conseguido registar uma desalavancagem significativa, isso aconteceu a um “ritmo moderado” e suportado pela “dependência significativa” do financiamento do Banco Central Europeu.

Bancos devem eliminar créditos antigos

O fundo defende que os bancos têm de abordar o problema do crédito malparado “com firmeza, eliminar os empréstimos antigos e facilitar o crédito a novas empresas e novos setores”, para impulsionar o crescimento fraco.

O FMI avança com recomendações, entre as quais um “esforço centralizado e com prazos definidos para aumentar os capitais próprios dos bancos de modo a criar espaço no balanço para eliminar os ativos improdutivos”, ou seja, o crédito malparado.

O fundo também aconselha que as instituições financeiras reduzam os custos operacionais, uma vez que a queda dos encargos não foi capaz de compensar um nível elevado de imparidades e descida das margens financeiras. Também devem angariar capital para absorver perdas relacionadas com reestruturações e amortizações.

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