FMI: Cinco lições do programa de ajustamento de Portugal

O Fundo Monetário Internacional diz que o programa de resgate a Portugal foi “relativamente bem sucedido”. Mas deixou “muitas questões inacabadas”.

Portugal concluiu o programa de resgate em 2014, depois de ter sucumbido à crise em 2011. Foi alvo de um resgate de um valor total de 78 mil milhões de euros que, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI), “relativamente bem-sucedido”, embora subsistam questões por resolver.

O programa “estabilizou a economia, mas a sustentabilidade não foi plenamente alcançada”, diz o FMI, acrescentando que “evitou uma crise sistémica e permitiu que Portugal recuperasse o acesso ao financiamento de mercado, mas deixou muitas questões inacabadas: o excesso de dívida soberana e privada, as fragilidades dos bancos e das empresas e a competitividade ainda distante”.

Concluído o programa, o FMI diz que há cinco lições a retirar de tudo o que foi feito em Portugal. Ou seja, ensinamentos à posteriori daquilo que foi feito e que poderia, ou deveria, ter sido feito de forma diferente. Conheça-as:

Reestruturar a dívida? Era irrealista

Com a crise, Portugal começou a perder o acesso aos mercados, o que colocou em causa o financiamento da economia. O excesso de dívida assustou os investidores, levando o país para o resgate. “A restruturação da dívida soberana nunca foi uma opção realista”, diz o FMI. E justifica: “no início devido ao receio de contágio e, mais tarde, devido a ganhos claros do regresso aos mercados”.

Ajustamento orçamento foi a única estratégia prática

Com a reestruturação da dívida fora de jogo, “o grande ajustamento orçamental inicial foi a única estratégia prática para restaurar a confiança do mercado de que a dívida era sustentável”, refere o FMI. “As metas orçamentais foram flexibilizadas, na medida do possível, face ao crescimento desanimador – mas a inversão de medidas reduziu a qualidade do ajustamento e minou a estratégia de competitividade”, alerta.

Manter bancos abertos? Sim, mas…

Para o FMI, “manter os bancos abertos para evitar tensões adicionais quando não confrontados com uma crise bancária foi justificável tendo em conta a informação disponível”, mas essa decisão teve consequências que colocam em causa o futuro da economia do país.

Impasse sem a desalavancagem

“A estratégia de apoiar o crescimento impedindo uma desalavancagem demasiado abrupta deixou Portugal num impasse”, nota o FMI. Portugal ficou dependente das “fraquezas do setor bancário” e perante “um setor privado em estagnação”.

Reformas no trabalho trouxeram competitividade

Na última lição do programa de resgate português, o FMI salienta “as reformas do mercado de trabalho”. “Foram fundamentais para os objetivos de Portugal em matéria de competitividade”, remata o FMI.

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