FMI: Impostos já são bastante elevados em Portugal

  • Rita Atalaia
  • 23 Setembro 2016

O chefe de missão do Fundo Monetário Internacional para Portugal não concorda com a aposta do Governo nos impostos indiretos e diz que já é tarde para tomar medidas para corrigir o défice.

Subir Lall, chefe de missão do FMI para Portugal, diz ao jornal Público que está preocupado com o crescimento fraco da economia e que não concorda com a aposta do Governo nos impostos indiretos como forma de cumprir as metas orçamentais do próximo ano.

“A partir de determinada altura, aumentar os impostos já não nos leva muito longe”, diz o chefe de missão, alertando que os “impostos, incluindo os impostos indiretos, já são bastante elevados em Portugal”.

Numa altura em que a Comissão Europeia está a pedir mais medidas para que o défice de Portugal cumpra as regras europeias, Lall diz que “agora já é tarde para se tomar medidas que corrijam o défice deste ano” e que o foco deve agora virar-se para 2017 e perceber que medidas devem ser aplicadas que garantam um ajustamento adequado nos próximos anos.

A partir de determinada altura, aumentar os impostos já não nos leva muito longe (…) os impostos, incluindo os impostos indiretos, já são bastante elevados em Portugal

Subir Lall, chefe de missão do FMI para Portugal

Subir Lall diz que o que existe é um problema estrutural com o crescimento. “Estamos numa situação em que estamos a chegar ao que nós pensamos ser o crescimento potencial de médio prazo da economia, que é bastante baixo, na ausência de novas reformas”, nota o responsável do FMI.

Questionado sobre se este crescimento baixo mostra que aquilo que foi feito durante o programa da troika foi um fracasso, Lall refere que “é preciso ter em conta que fazer mexer a agulha para um crescimento potencial mais elevado exige muitas reformas” e que os processos de reformas duram “entre cinco a 10 anos” porque têm de ser feitos de uma forma aceitável para os cidadãos.

Em relação às reformas, o chefe de missão diz que “as reformas propostas pelo Governo teriam algum impacto, mas gostaríamos de vê-las mais detalhadas e especificadas, com um calendário definido”.

Falando sobre o mercado laboral, Subir Lall refere que o FMI está bastante preocupado e que prevê uma descida muito mais moderada da taxa de desemprego ao longo dos próximos anos.

“É por isso que não somos favoráveis a um aumento do salário mínimo. Isso não cria empregos”, nota o responsável.

 

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