CTT: “Nós temos bastante concorrência”

André Gorjão Costa, administrador dos CTT, defendeu-se das acusações de abuso de posição dominante. Ao mesmo tempo, João Confraria, da Anacom, deixou pistas para o futuro do serviço universal postal.

A Anacom está alinhada com a Autoridade da Concorrência no que toca à necessidade de criar outras condições de oferta da rede nacional de distribuição de correio, atualmente detida pelos CTT. Esta quinta-feira, João Confraria, do conselho de administração do regulador, disse que a empresa tem “uma oferta de acesso à rede que pode ser melhorada”.

As declarações de João Confraria, num painel sobre “Regulação” no congresso da APDC, vão ao encontro das deliberações da Autoridade da Concorrência, que acusou os CTT de abuso de posição dominante por, alegadamente, impedir “a entrada ou a expansão de concorrentes no mercado nacional de prestação de serviços de correio tradicional”.

André Gorjão Costa, administrador executivo dos CTT, defendeu-se, garantindo que os CTT têm “bastante concorrência”, principalmente no que toca a encomendas, onde ela é tanto nacional como internacional, disse. O administrador recordou também que os CTT não foram multados, mas sim alvo de “uma nota de ilicitude” por parte da Autoridade da Concorrência.

A rede de distribuição dos CTT inclui os meios de encaminhamento e triagem de correio e “tem que ser entendida na sua natureza”, explicou André Gorjão Costa, acrescentando que é também “de pessoas” que se está a falar. “O nosso [principal] operador concorrente já pediu acesso a essa oferta”, revelou, mas “para haver concorrência, [os operadores postais] devem operar diretamente” em certas zonas e, noutras, “devem usar a nossa rede”. Terminou, considerando suficiente a oferta dos CTT no que toca ao acesso à rede de distribuição.

"Se os padrões de tráfego postal continuarem a evoluir como até agora, [o que] faz sentido é garantir um serviço que entregue coisas às pessoas em horários e locais que sejam da sua conveniência.”

João Confraria

Membro do Conselho de Administração da ANACOM

João Confraria, da Anacom, respondeu que “o serviço universal é um domínio que é dado a visões”, e aproveitou para deixar algumas pistas para 2020, altura em que deverá ser revisto o contrato de serviço universal do setor: “O serviço universal postal ainda tem alguma utilidade. É caro, mas faz sentido. No entanto, se os padrões de tráfego postal continuarem a evoluir como até agora, [o que] faz sentido é garantir um serviço que entregue coisas às pessoas em horários e locais que sejam da sua conveniência. É o que há a discutir quanto ao futuro do serviço universal”, disse.

No segundo trimestre deste ano, o grupo CTT — composto pelos CTT, CTT Expresso e CTT Contacto — registou uma quota de mercado na ordem dos 93,6%. Em segundo lugar ficou a Chronopost com 1,3% de quota, seguindo-se a CityPost com uma fatia de 1,1% — dados da Anacom. Em causa, um mercado que, por ano, gera cerca de 400 milhões de euros.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

CTT: “Nós temos bastante concorrência”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião