Coleção de arte de David Bowie em leilão

  • Paula Paz Dias
  • 7 Outubro 2016

David Bowie morreu em janeiro deste ano, a música ficou e a sua coleção de arte também. Que vai em novembro a leilão pela Sotheby's.

A Sotheby’s vai leiloar em novembro cerca de 400 obras da coleção de arte privada de David Bowie. Após prévia exibição internacional, que partiu de Londres e percorreu Los Angeles, Nova York e Hong Kong, a Bowie Collector será exposta de 1 a 10 de novembro na Sotheby´s de New Bond Street, podendo ser apreciada por fãs, colecionadores e amantes da arte.

Os fãs desta lenda musical têm assim uma oportunidade única de conhecer um pouco mais do seu universo pessoal e de se envolverem com os objectos de que este se rodeava.

A arte de David Bowie

Falecido em Janeiro deste ano com 69 anos, Bowie afirmou em entrevista: “Art was, seriously, the only thing I’d ever wanted to own.”

I want to sound like that looks!…

Para além das artes performativas, que abraçou como músico e como actor, Bowie tinha uma enorme paixão pelas artes plásticas, que cultivava de forma séria, fazendo formação na matéria e colecionando obras de forma quase compulsiva.

Embora a sua faceta de colecionador não fosse conhecida do grande público, a arte era uma grande fonte de inspiração do seu trabalho, de tal forma que, em 1998, Bowie disse em entrevista ao New York Times, em referência ao trabalho de Frank Auerbach ‘My God, yeah – I want to sound like that looks.’

Ecletismo na coleção

Trata-se de uma coleção eclética que abrange pintura, desenho, fotografia e escultura e que inclui sobretudo artistas britânicos, mas também trabalhos de artistas de todo o mundo, modernos, pós modernos, africanos contemporâneos e até outsiders do mundo artístico.

É integrada por mais de 200 trabalhos dos mais importantes artistas britânicos do século XX, entre os quais, Frank Auerbach, Damien Hirst, Henry Moore, Graham Sutherland, Stanley Spencer, Patrick Caulfield e John Virtue, que vão ser leiloados.

Uma inquietante peça que vai certamente ser objeto de despique é “A Bruit Secret” de Marcel Duchamp, estimada em 250,000£.

Bowie adquire o Basquiat após participar no filme

Mas a jóia da coroa é o quadro “Air Power” do artista norte-americano Jean-Michel Basquiat, cuja estimativa é de 2,5 a 3,5 milhões de libras, e que foi adquirido por Bowie um ano depois de ter assumido o papel de Andy Warhol, mentor do artista, no filme “Basquiat”, que Julien Schnabel realizou em 1996.

Do acervo em leilão faz também parte um interessante conjunto de obras pouco convencional do gruopo Gugging, “outsiders artists” que Bowie conheceu numa visita que fez a Gugging, uma instituição psiquiátrica nos arredores de Vienna, Austria, juntamente com Brian Eno. Bowie e Eno visitaram o hospital, reputado pela aposta na aliança do tratamento à criatividade dos pacientes, em 1994, e entrevistaram e fotografaram alguns dos doentes, tendo comprado alguns dos seus trabalhos, que inspiraram o álbum Outside.

Uma peça que certamente suscitará a concupiscência dos fãs do músico é um móvel gira-discos, de design italiano, dos irmãos Pier Giacomo e Achile Castiglioni, datado de 1960.

Uma paródia artística

O interesse de Bowie pela arte não se resumia ao colecionismo, bem pelo contrário, também pintava e tinha um grande fascínio pelo mundo artístico. Tendo integrado a direção do jornal “Modern Painters”, conviveu de perto com artistas como Damien Hirst, Tracey Emin e Jeff Koons, que entrevistou.

David Bowie fez também parte de uma célebre paródia do mundo artístico. Para celebração do fabuloso talento e trágico destino de Nat Tate, organizou, no dia 1 de abril, uma festa de lançamento do livro do artista, no estúdio de Jeff Koons em Manhattan. Curiosamente, a maioria dos convidados, grande parte deles ilustres intelectuais do mundo artístico, não confessou o seu desconhecimento da personagem que, na realidade, não era mais que uma personalidade fictícia criada pelo novelista William Boyd.

Face ao fascínio suscitado pela personalidade de Bowie, é, de facto, enorme a expetactiva à volta deste leilão que decorrerá em três partes, de 10 a 11 de novembro, e em que a Sotheby’s conta arrecadar à volta de 10 milhões de libras.

 

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