A Uber tem um impacto “muito negativo” sobre as contas dos taxistas. Que impacto? O impacto

Os taxistas falam numa quebra de 30% das receitas desde que a Uber chegou a Portugal, em 2014. Mas não sabem especificar os valores dessas receitas.

Desde o verão de 2014, quando a Uber se instalou em Portugal, que os taxistas garantem que a atividade — que consideram ilegal — desta plataforma tem um impacto “muito negativo” sobre as contas das empresas de táxis. Mas que impacto? Não há resposta.

Questionada pelo ECO sobre o volume de negócios gerado pelo setor dos táxis, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), que regula e fiscaliza a atividade dos transportes em Portugal, remete para as associações que representam o setor: a Federação Portuguesa do Táxi (FPT) e a Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (Antral). Contactados, os representantes das associações avançam o mesmo número: 30% de quebra das receitas. Mas ninguém sabe qual o valor das receitas.

“A Uber instalou-se em Portugal há mais ou menos dois anos e isso tem tido um impacto negativo na nossa atividade. Não tenho dúvida nenhuma disso”, começa por dizer ao ECO Carlos Ramos, presidente da FPT. Que impacto foi esse? “Houve quebras nas receitas à volta de 20% a 30%, naquilo que diz respeito à época baixa. No verão, o efeito foi menor, mas estamos a chegar outra vez à época baixa e, aí, há um impacto muito negativo em termos de receitas. Isso preocupa-nos”, salienta.

Sobre o valor das receitas, pré e pós Uber, o presidente da FPT diz apenas: “Ainda não fizemos as contas em termos financeiros. Que a procura diminuiu, isso diminuiu. Que houve impacto na procura, de facto houve. Em termos de valores, ainda estamos a trabalhar neles para perceber o efeito financeiro que isto teve”.

Florêncio de Almeida, presidente da Antral, replica o discurso: “No verão, não se nota. Vai começar a notar-se a partir de outubro. Estimamos que haja uma quebra de 30% das receitas, em 2015 e também em 2014”, adianta ao ECO. Caiu para quanto? “Esse cálculo, dentro da indústria, é muito difícil de fazer“.

Os números que se conhecem são estes: a atual frota nacional de táxis conta com 12 mil carros, número que, segundo Carlos Ramos, não se alterou desde a chegada da Uber a Portugal. “Os táxis têm um contingente fixado pelas câmaras e esse não é alterado”, explica.

A emissão de certificados de motorista de táxi também se tem mantido estável nos últimos anos. “Não houve nenhum acréscimo nem decréscimo. No final do ano passado, havia à volta de 23 mil motoristas de táxi“, detalha o responsável.

E se a lei for justa? A procura volta a subir

O conflito Uber vs. Táxis arrasta-se desde há dois anos e acentuou-se no final do mês passado, quando o Governo avançou com um diploma para regular a atividade de plataformas como a Uber e a Cabify, que vai estar disponível para consulta pública.

A reação dos taxistas foi imediata: a lei está a ser feita à medida da Uber e não cumpre com a Constituição. E querem que o documento seja alterado para que a Uber tenha de cumprir com quatro pontos essenciais: um contingente obrigatório, preços mínimos, alvarás e licença.

Se o Governo ceder e estes pontos passarem a constar da lei, os taxistas acreditam que o problema fica resolvido. “Esta lei que está a ser feita é ilegal e é inconstitucional, mas, se houver uma lei que regule efetivamente as plataformas e que cumpra com as mesmas exigências que fazem as táxis, não tenho dúvidas nenhumas de que as coisas melhoram em relação à procura dos táxis”, assegura Carlos Ramos.

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