Malparado das famílias em queda, exceto na habitação

As famílias portuguesas têm mais de cinco mil milhões de euros em crédito que não pagaram. O valor em cobrança duvidosa até encolheu, mas não na habitação.

5.071 milhões de euros. É este o montante em crédito que as famílias têm em falta junto das instituições financeiras. Um valor avultado, mas que até está a encolher. O malparado reduziu-se em agosto, baixando tanto nos empréstimos ao consumo como para outros fins. Já o da habitação voltou a aumentar.

O saldo em dívida por pagar pelas famílias recuou pelo terceiro mês consecutivo, de acordo com os dados revelados pelo Banco de Portugal. Caiu de 5.090 para 5.071 milhões, levando a que a percentagem de malparado das famílias tenha encolhido de 4,3% para 4,29%. Isto num período em que o saldo do crédito caiu de 118.387 para 118.142 milhões.

Para esta evolução positiva contribuiu a quebra no malparado do consumo (encolheu de 7,48% para 7,42%) e dos outros fins (16,37% para 16,26%), já na habitação voltou a registar-se um aumento do incumprimento. Apesar de ser a finalidade com menor taxa de incumprimento, o malparado na habitação subiu de 2,71% para 2,72%, em agosto.

Mesmo havendo um aumento, o crédito à habitação é, em regra, o que apresenta a menor taxa de incumprimento, mas é o maior em valor: as famílias portuguesas têm 2.608 milhões por pagar às instituições financeiras, segundo dados do Banco de Portugal. Este valor compara com os 95.999 milhões de euros de empréstimos concedidos para a compra de casa.

Empresas em falta

Mais do que as famílias, são as empresas que apresentam um elevado montante em dívida junto dos bancos. Os dados da entidade liderada por Carlos Costa revelam que o saldo de malparado das empresas ascendeu a 12.960 milhões de euros, o equivalente a 16,48% do montante total financiado.

Perante este montante, juntando com as famílias, os bancos têm 18.031 milhões de euros em dívida de cobrança duvidosa. É 10,32% do total dos empréstimos concedidos, o que revela o elevado peso que o malparado está a atingir. Mário Centeno, o ministro das Finanças, está a preparar leis que podem ajudar os bancos a venderem certos ativos, no âmbito de uma “abordagem abrangente” para resolver o crédito malparado.

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