Estatísticas são um “verdadeiro abecedário do mundo moderno”

  • Lusa
  • 20 Outubro 2016

No Dia da Estatística, a Lusa e a Pordata divulgam hoje um ‘Ebook’ com informação estatística relativa a áreas diversas que compara o Portugal de 1986 com o atual.

Verdadeiro “abecedário do mundo moderno”, as estatísticas permitem aos cidadãos “formar opiniões em liberdade” e “de forma fundamentada”, refletindo o presente de uma sociedade e antecipando as tendências de futuro, sustenta a diretora da Pordata.

Só a partir destes factos estatísticos que falam sobre nós, sobre os nossos comportamentos e sobre a sociedade em que vivemos podemos em liberdade formar a nossa opinião. Caso contrário corremos sérios riscos, tal como no passado corríamos riscos se não soubéssemos ler nem escrever, porque tínhamos que acreditar no que os outros diziam”, afirmou Maria João Valente Rosa em entrevista à agência Lusa a propósito do Dia da Estatística, que hoje se assinala.

Para assinalar o Dia da Estatística, a agência Lusa e a Pordata divulgam hoje um ‘Ebook’ (ver em www.pordata.pt/Retratos/2016/Lusa) que compara, em números relativos a 12 áreas diversas, o Portugal de 1986 – quando a agência Lusa nasceu – e o Portugal de hoje.

O resultado, diz Maria João Valente Rosa, é “um país praticamente irreconhecível por comparação ao seu passado não muito distante”, que sofreu “mudanças tão profundas” que, “se hoje se visse ao espelho, não se reconheceria na imagem refletida”.

Os ‘slides’ do e-book “Números em Destaque: Portugal de 1986 e de hoje” foram desenhados com base nos dados da Portdata, no âmbito de um protocolo entre a Lusa e esta base de dados para assinalar os 30 anos da agência. O e-book gratuito reúne os conteúdos divulgados ao longo dos últimos meses no site dedicado aos 30 anos da Lusa (www.30anoslusa.pt/retratos) e está disponível para consulta em www.pordata.pt/Retratos/2016/Lusa.

Ao reunir numa única plataforma dados estatísticos fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e por cerca de seis dezenas de outros organismos com os quais colabora, a Pordata pretende, desde 2010, dar o seu contributo em Portugal para o “verdadeiro abecedário do mundo moderno” que as estatísticas representam, conforme a descrição da diretora daquele portal de acesso livre, dinamizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

 

Sabia que…

Dia Europeu da Estatística / Fonte: INE
Dia Europeu da Estatística / Fonte: INE

“Tentamos reunir num mesmo local várias dimensões da sociedade e trabalhá-los de maneira a que as pessoas, de uma forma simples e gratuita, consigam chegar à informação que pretendem”, afirmou Maria João Valente Rosa, explicando: “A ideia é tentar abrir a possibilidade a todos, sem exceção, de aceder a factos estatísticos oficiais que falam sobre nós, sobre os nossos comportamentos e sobre a sociedade em que vivemos, porque só assim podemos em liberdade formar a nossa opinião sobre o mundo em que estamos”.

Sem estatísticas andamos completamente perdidos, mas, às vezes, é difícil chegar a elas e entendê-las bem. Isto significa que, muitas vezes, as pessoas deixam de procurar a informação e passam a acreditar naquilo que os outros – esses poucos que conseguem chegar a essa informação – dizem e começam a pensar um pouco por aquilo que os outros pensam e não tanto pela opinião que podem formar a partir dos factos”, acrescentou.

Como exemplo, avançou “ideias feitas” frequentemente reproduzidas “de forma acrítica”, mas que as estatísticas revelam serem falsas: A afirmação que “Portugal é um país pequeno” é rebatida pelos dados estatísticos disponíveis, já que é o 12.º mais populoso entre os 28 da União Europeia, e a crença de que “é um país de doutores e engenheiros” não se confirma, porque a comparação com os valores europeus revela que Portugal está “muito mal posicionado a esse nível”, nota.

"Sem estatísticas andamos completamente perdidos, mas, às vezes, é difícil chegar a elas e entendê-las bem. Isto significa que, muitas vezes, as pessoas deixam de procurar a informação e passam a acreditar naquilo que os outros – esses poucos que conseguem chegar a essa informação – dizem e começam a pensar um pouco por aquilo que os outros pensam e não tanto pela opinião que podem formar a partir dos factos”

Maria João Valente Rosa

Diretora da Pordata

Na Pordata, destaca a diretora do projeto, está reunido numa única plataforma “um conjunto vastíssimo de dados que não só refletem o presente, mas também as tendências que se vêm a adivinhar desde 1960 até à atualidade”, permitindo “perceber um pouco para onde se está a caminhar”.

Este é um projeto totalmente inovador do ponto de vista internacional, desconheço outros de tipo idêntico noutros países”, salientou, esclarecendo estarem disponíveis no portal três bases de dados distintas, uma relativa a Portugal, outra à União Europeia a 28 e uma outra com dados descentralizados por municípios, já que, “por vezes, as médias escondem fortes assimetrias dentro das várias regiões do país”.

No ano passado, a Pordata apostou em abrir a informação disponível às crianças dos oito aos 12 anos, criando a Pordata Kids, por considerar que “as estatísticas não são um assunto que interesse apenas aos adultos, mas também às crianças, que são curiosas” por natureza.

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Dia Europeu da Estatística / Fonte: INE
Dia Europeu da Estatística / Fonte: INE

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