Capital de risco: 26 fundos recebem 100 milhões

O Concurso foi lançado a 11 de maio, mas está atrasado. Propostas entregues a concurso ascenderam a 470 milhões, mas só há 100 milhões na dotação. Foram escolhidas 26 capitais de risco.

São 26 as capitais de risco selecionadas pela Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD) para gerir os cerca de 100 milhões de euros postos a concurso em maio. Entre os escolhidos estão empresas internacionais, sabe o ECO, como a Vesalius Biocapital Partners, uma das maiores empresas de biotecnologia da Europa.

A qualidade das candidaturas é de altíssimo nível”, explicou ao ECO uma fonte conhecedora do dossiê. As candidaturas superaram largamente os montantes colocados a concurso — o total ascendeu a 470 milhões de euros. E, por isso, está em curso uma tentativa de aumentar as verbas disponibilizadas.

Ao contrário do que acontece com as candidaturas de empresas ao Portugal 2020 — em que está garantida a aprovação de todas aquelas que tenham uma nota superior a 3,5 numa escala de um a cinco, havendo se necessário um aumento da dotação a concurso — aqui o limite é a dotação, havendo o risco de se perder bons projetos. Recorde-se que o que está em causa é escolher capitais de risco que vão fazer chegar à economia as verbas do Portugal 2020 para engenharia financeira a que a IFD se candidatou. Uma função que a instituição não pode desempenhar já que é grossista.

Na lista estão também nomes de outras capitais de risco que até já trabalharam com fundos comunitários, como é o caso da Oxy Capital e Capital Criativo, que geriram os fundos Revitalizar no quadro comunitário anterior (o QREN) ou ainda a EDP Ventures.

Os resultados estiveram agendados para ser divulgados esta terça-feira, mas não é garantido que o sejam.

Concurso deixa 50 business angels de fora

Numa fase mais avançada está o concurso para os business angels, também lançado a 11 de maio, mas que já passou pelos diversos trâmites, nomeadamente a fase de contestação dos resultados.

Mas aqui o filme repete-se. Houve 72 candidaturas elegíveis, mas só 22 business angels vão ver os seus projetos financiados na totalidade. Isto não quer dizer, contudo, que todas vão receber o valor máximo permitido (750 mil euros). A dotação de 19 milhões de euros que vai ser distribuída nesta primeira fase — e não 26 milhões como inicialmente previsto, porque se pretende “guardar” algum dinheiro para o Web Summit — reserva ainda “uns pozinhos” para outros 15 projetos, confirmou o ECO.

A empresa que recebeu a melhor qualificação do júri foi a Semeia Ventures, conhecida no mercado pelo trabalho desenvolvido na UOY, uma marca portuguesa de fatos e camisas para homem, feitos à medida. O conceito é inovador já que é o cliente que escolhe o design. Tal como neste projeto — Uncover the Original You, em português “Descobre o teu eu original” — a Semeia Venture, num estilo hands on, como diz ao ECO, Paulo Pinho, tem por objetivo agarrar num negócio tradicional e elevá-lo à era digital.

Paulo Pinho, contactado pelo ECO, não quis comentar os resultados que ainda não são oficiais, mas garantiu que tem, pelo menos, “três projetos” identificados, para “investir até ao final do ano”. O responsável não quer levantar a ponta do véu sobre os mesmos sublinhando apenas que estão na área do “mercado do produto”, “com um mercado significativo” e potencial de internacionalização através de canais digitais.

Segundo o jornal Público, a lista dos business angels inclui ainda a Startup Braga, do antigo secretário de Estado Carlos Oliveira, e a Ganexa Seed Capital. DE acordo com as regras do concurso, os fundos atribuídos a cada sociedade só podem representar 65% do total do financiamento. Os restantes 35% têm de ser suportados por investimento privado.

A semana passada houve um reunião no Ministério da Economia com a Associação dos business angels na qual foi analisada a possibilidade de duplicar as linhas disponibilizadas ou então realizar um novo concurso. “O Ministério da Economia está a trabalhar com stakeholders e business angels para avaliar a recetividade para pôr o dinheiro dos business angels o mais rapidamente possível junto destas entidades”, disse ao ECO fonte oficial do Ministério da Economia. O ECO sabe que tendo em conta que este concurso já estava planeado há tanto tempo, fazer alterações poderia implicar mais uma paragem, num momento em que os fundos comunitários são o balão de oxigénio da economia.

 

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