Portugal regista segundo maior crescimento da dívida na Zona Euro

Dívida bruta global dos governos da Zona Euro caiu no segundo trimestre do ano face à riqueza produzida. Em Portugal, rácio da dívida está perto dos 132% do PIB.

Portugal registou o segundo maior crescimento da dívida pública face ao Produto Interno Bruto (PIB) na Zona Euro, no segundo trimestre do ano, de acordo com os dados revelados esta segunda-feira pelo Eurostat. A dívida nacional bruta atingiu os 131,7% do PIB no final de junho, mais 2,8 pontos percentuais face ao primeiro trimestre do ano.

Só a Grécia registou um agravamento mais acentuado do que Portugal: o rácio da dívida face à riqueza produzida aumentou 3,1 pontos percentuais até 179,2%, segundo os mesmos dados da autoridade estatística.

Variação da dívida pública no segundo trimestre

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Fonte: Eurostat (valores em pontos percentuais)

No final do segundo trimestre, Portugal continuava a ter a terceira maior dívida na Zona Euro. Grécia (179,2% do PIB) e Itália (135,5% do PIB) alcançam piores registos que Portugal. Estes três países registaram um agravamento do indicador naquele período, isto apesar de a dívida global dos governos da Zona Euro ter recuado ligeiramente para 91,2% do PIB.

A dinâmica da dívida foi um dos pontos sublinhados pela agência DBRS, depois de na sexta-feira ter mantido a notação e o outlook estável de Portugal.

Em entrevista ao ECO, Adriana Alvarado, analista da agência canadiana, referiu que, “se houver uma deterioração da dinâmica da dívida, que pode resultar de um crescimento mais baixo ou de um período prolongado de juros elevados”, isso pode representar uma pressão negativa em relação ao rating do país.

"Será uma pressão negativa se houver uma diminuição do compromisso para com as medidas economicamente sustentáveis. Se não houver reformas estruturais ou houver menor ação política para melhorar os rácios orçamentais, o rating pode descer. Se houver uma deterioração da dinâmica da dívida, que pode resultar de um crescimento mais baixo ou de um período prolongado de juros elevados, também.”

Adriana Alvarado

Analista da DBRS

Nesse caso, a DBRS poderia rever em baixa o rating de Portugal, o que significaria que o país deixaria de estar qualificado para o programa de compra de ativos no setor público do Banco Central Europeu (BCE).

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