Media sob pressão. A culpa é da publicidade

Negócio dos jornais e televisões continua a ser fortemente afetado pela quebra das receitas publicitárias, acentuando necessidade de reestruturação e corte de custos no setor.

Redução de receitas publicitárias, cortes e despedimentos. O ano de 2016 continua a ser de crise para o negócio dos jornais e televisões que, apesar da melhoria da economia portuguesa, volta a ver o mercado da publicidade encolher de forma acentuada. E à medida que vão sendo conhecidos os resultados do setor, os investidores reagem. As ações dos media nacional estão em queda.

Depois de ter apresentado uma quebra de 14,5% das receitas e prejuízos de 1,8 milhões de euros no último trimestre, as ações da Impresa estavam esta quarta-feira sob intensa pressão vendedora do mercado. Os títulos da dona da SIC já cederam mais de 10%, seguindo há momentos recuar mais de 7% até aos 0,208 euros, um mínimo de cerca de três semanas, elevando para 55% as perdas acumuladas em 2016.

O grupo liderado por Francisco Pinto Balsemão justificou os prejuízos trimestrais com custos de restruturação que atingiram um milhão de euros, quando os analistas do BPI antecipavam um lucro de 300 mil euros. Em relação ao decréscimo das receitas, a empresa destacou a quebra na publicidade, a sua principal fonte de negócio, de quase 9,6% dos 26,4 milhões para os 23,8 milhões de euros.

“As receitas, o EBITDA e o resultado líquido ficaram abaixo das estimativas sobretudo devido a uma performance das receitas de publicidade da televisão muito abaixo do previsto“, comentavam os analistas do CaixaBI, numa nota de análise aos resultados da Impresa.

“O total de receitas ficou abaixo das nossas expectativas sobretudo devido ao comportamento das receitas de publicidade de televisão: antecipávamos um crescimento homólogo e as receitas diminuíram mais de 8%, o que significa que a Impresa perdeu quota de mercado”, frisou o CaixaBI.

"As receitas, o EBITDA e o resultado líquido ficaram abaixo das estimativas sobretudo devido a uma performance das receitas de publicidade da televisão muito abaixo do previsto.”

CaixaBI

Ainda no setor dos media, também a Cofina negociava na sessão desta quarta-feira com sinal menos. As ações da dona do Correio da Manhã perdiam mais de 4% até aos 0,288 euros. No acumulado, já perdem mais de 35% num ano em que apresenta uma quebra de 3,1% das receitas no primeiro semestre, com o negócio publicitário a cair mais de 7% no mesmo período.

“Todas as rubricas de receitas apresentaram um desempenho negativo. O esforço de controlo de custos não evitou o agravamento do EBITDA negativo, que se cifrou em 202 mil euros negativos”, assumia a Cofina na apresentação de contas relativo ao desempenho nos primeiros seis meses do ano.

A Media Capital, por seu lado, fechou os primeiros nove meses com um resultado líquido 8,78 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano, uma variação positiva de 7%. Isto num período em que conseguiu estabilizar as receitas. A dona da TVI só tinha negociado 30 ações sem qualquer impacto na cotação de 2,20 euros, num sinal de que não há grande interesse da parte dos investidores num título que tem pouco capital disperso no mercado de capitais português.

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